10 de julho de 2026
Política

Eleição 2010 opõe tucano e petista na sessão

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 5 min

A possível polarização da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), com o governador do Estado de São Paulo, José Serra (PSDB), na disputa pela presidência da República deste ano repercutiu ontem no Legislativo de Bauru, confirmando que o clima da eleição 2010 vai demarcar várias das reuniões legislativas locais. O tucano Fernando Mantovani, deixou a imagem de “bom moço” de lado e resolveu atacar o colega petista Roque Ferreira.

A tática de Mantovani teve início quando o tucano, o primeiro de sua bancada a usar a Tribuna, equacionou o valor investido em obras pelo governo do Estado na região – cerca de R$ 480 milhões, segundo ele – e citou exemplos. “O PSDB é muito atuante em Bauru.”

Mas ele aproveitou u ensejo e questionou o colega do PT para que fizesse o mesmo trabalho: levantasse o total de investimentos realizados pelo governo federal em obras no município e na região para prestar contas da atuação da legenda.

A declaração provocou pedido de aparte de Roque. “Existem fatos e versões. Não sou especialista em marketing político como você. Mas existe a moeda de um lado e a moeda de outro. É fácil saber o que fez. É só entrar no site Transparência Brasil e todos os recursos estarão disponíveis. Se quiser antecipar eleição na Câmara Municipal de Bauru, a partir da próxima sessão, vamos demonstrar tudo aqui que o PSDB retirou de Bauru: empregos e empresas. Não acho que este seja um bom caminho, porque o debate e a disputa eleitoral de presidência da República se darão em outro local. Mas se quiser fazer, a gente faz. Mesmo sendo um só vereador, me disponho a fazer esse debate, principalmente com os tucanos que afundaram este País em oito anos”, reagiu Ferreira.

O tucano replicou. “Mais uma vez não responde porque não tem o que colocar de obras importantes em nossa cidade. É só discurso. Eu desafio o vereador Roque.” Para terminar, Mantovani citou uma frase do frei Leonardo Boff, ávido defensor da reforma agrária, assim como o petista, para alfinetar novamente: “A eleição presidencial não deveria debater qual passado deve ser continuado. Mas qual o futuro deve ser construído”.

O tempo regimental do tucano já havia se esgotado e o republicano Francisco Carlos de Góes, o Carlão do Gás (PR), usava a Tribuna e dizia que os vereadores estavam lá para somar esforços. Então, Roque pediu novamente aparte e completou: “Já tenho idade avançada para aceitar desafios. A militância política me ensinou a não aceitar provocações rasas. Isso é uma antecipação de uma disputa eleitoral. Se essa é uma orientação tirada da Executiva do PSDB, que se reuniu no domingo passado, de atacar o PT e atacar esse vereador que possa vir a ser candidato a deputado federal, pode ficar tranquilo que eu não disputo voto com quem vocês representam. Faço política de outra forma”, completou.

Oncologia

Mas a sessão ainda guardou tempo para que pendência da semana anterior rendesse comentários. O imbróglio iniciado na semana passada entre os vereadores Amarildo de Oliveira (PPS) e Paulo Eduardo de Souza (PSB) em relação ao serviço de oncologia em Bauru teve um novo episódio ontem, durante sessão do Legislativo.

Na opinião de Oliveira, o socialista distorceu o que ele havia dito anteriormente. “Eu falei que na condição de vereador que estava trabalhando por esta questão desde o início do meu mandato. Continuaria trabalhando dentro desta questão. Não estava utilizando como plataforma de campanha, como o senhor está lembrando disso.”

Na ocasião, Paulo Eduardo informou que será inaugurado no Hospital Estadual (HE) uma ressonância magnética, concedido um andar inteiro para tratamento de oncologia, e dois novos aparelhos de radioterapia já estão destinados à Bauru. “Entrei em contato com a Secretaria Estadual de Saúde e lá falei com Dr. Luiz que é responsável por assuntos políticos da área da Saúde, e com a Doroti. Nesse sentido que eu gostaria de saber do senhor qual é a fonte da ala inteirinha do HE e da compra dos dois aparelhos de radioterapia”, questionou Amarildo.

Segundo o socialista, são definições internas do HE. “São definições estratégicas para fazer frente à demanda. O 5º andar todo será destinado à oncologia, sem que haja necessidade de dar satisfações a DRS e outros níveis, assim como a radioterapia foi uma decisão interna. As explicações foram dadas. Eu me senti muito atingido enquanto dizer que era mentira. Enquanto convicções ideológicas, políticas, eu não minto. Posso me enganar. Quando me engano, não tenho problema nenhum em admitir o equivoco.” Depois, Paulo Eduardo pediu desculpas publicamente ao parlamentar, que as aceitou.

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Flores

O demista José Roberto Segalla disse que preferia que os colegas se voltassem para questões de Bauru. “Eu espero, de coração, que nós nos atenhamos a questões voltadas à cidade de Bauru, que sirvam aos interesses do povo bauruense. Eu espero que nós não politizemos esta Casa. Mas quero dizer que jamais recusei uma boa briga. Escolham as armas. Eu espero que as armas sejam as das flores”, afirmou, referindo-se ao ao caso do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que integra a mesma legenda, que teve mandato cassado e ontem conseguiu permanência no cargo.

O presidente do Legislativo, Pastor Luiz Carlos Barbosa (PTB), disse que aguarda as determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para determinar as regras para o parlamento bauruense em relação às manifestações das eleições deste ano. Mas isto só deve acontecer próximo do meio do ano, quando as candidaturas estiverem homologadas.