09 de julho de 2026
Geral

Maternidade não faz cirurgia agendada desde o ano passado

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Desde o final do ano passado, a Maternidade Santa Isabel, administrada pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), não realiza mais algumas cirurgias eletivas - que não são consideradas de emergência. O entrave é a remuneração dos médicos especialistas, que querem receber mais do que somente o repasse da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com dirigentes da AHB, as negociações para a solução do problema estão adiantadas e a expectativa é que até meados de março a entidade volte a atender esses pacientes. Cerca de 70 pessoas, que já deveriam ter sido atendidas, aguardam o agendamento das cirurgias.

A entidade, única maternidade que atende pelo SUS em Bauru e região, não oferece mais procedimentos como histerectomia, que é a retirada de útero para tratamento de miomas, por exemplo, desde outubro de 2009. Os casos mais graves são atendidos normalmente.

De acordo com o diretor técnico da AHB, o médico Aparecido Donizete Agostinho, a maternidade continua realizando cirurgias de mama e também de laqueadura. Já os outros casos permanecem sem agendamentos. “O grande problema é o financiamento. Majoritariamente, a renda da maternidade vem dos repasses do SUS. Porém, a tabela de referência está muito defasada, impraticável”, destaca o diretor.

Por isso, alguns médicos que realizavam os atendimentos deixaram de efetuar as operações. “Pelo grau de complexidade dos procedimentos, o repasse realmente é baixo” enfatiza Agostinho. Pelo levantamento realizado pela AHB, desde que as operações foram interrompidas, cerca de 70 pacientes aguardam o agendamento de suas cirurgias. As mais procuradas são a histerectomia e cirurgias para solucionar problemas de incontinência urinária (bexiga e útero caídos).

O interventor da AHB, Fábio Tadeu Teixeira, destaca que o impasse na realização das cirurgias eletivas na Maternidade Santa Isabel é de antes da deflagração da Operação Odontoma - que afastou parte da diretoria da associação por suspeitas de irregularidades. “Nós tínhamos um grupo de médicos que no ano passado vinha operando. Porém eles pararam”, explica. “A questão é acerto de honorários. Estamos negociando e devemos acertar isso em breve”, destaca Teixeira.

Depois de meses de negociação, Agostinho avalia que o impasse pode chegar ao fim. De acordo com o diretor da maternidade, a Secretaria de Estado da Saúde sinalizou com a possibilidade de envio regular de verba para complementar a remuneração dos médicos. Caso dê certo, a AHB estuda como fará para diminuir a demanda reprimida.

Umas das alternativas seria a realização de uma “força-tarefa” para atender os pacientes que estão aguardando o agendamento de seus procedimentos. “A nossa expectativa é chegarmos a um consenso até meados de março”, ressalta Agostinho.

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Odontoma

No dia 29 de outubro do ano passado, 60 policiais federais desencadearam a Operação Odontoma para apurar a destinação de R$ 16 milhões obtidos em empréstimo junto à Caixa Econômica Federal (CEF), origem de honorários pagos aos cirurgiões dentistas da equipe de bucomaxilo, aquisição de insumos, equipamentos e medicamentos e a compra e utilização de materiais cirúrgicos na AHB - entidade que administra o Hospital de Base e a Maternidade Santa Isabel.

Na ocasião foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão temporária. Foram presos Joseph Saab, presidente da associação há 14 anos; Marcelo Saab, dentista e filho do presidente; Vladmir Scarpp, superintendente e diretor financeiro; Samuel Fortunato, diretor técnico; Célio Parisi, conselheiro, e Maria Lúcia Lopes Saab, supervisora de serviço de apoio. Todos os acusados presos foram libertados no dia seguinte.

As investigações sobre o caso são conduzidas em trabalho conjunto do Ministério Público Federal, Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual e Polícia e Justiça Federal. O Jornal da Cidade apurou que parte das denúncias feitas já foi materializada através do que foi apreendido.