Brasília - Depois das ameaças e recuos da semana passada, o governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio, renunciou ontem ao cargo e se desfiliou do DEM alegando falta de apoio político. Ele abandona a legenda e o governo 13 dias depois de assumir no lugar do titular José Roberto Arruda, preso numa sala da Polícia Federal desde o dia 11 de fevereiro.
A decisão de Paulo Octávio aumenta as chances de uma intervenção federal no Distrito Federal, que será analisada pelo Supremo Tribunal Federal. Apesar de não desejar esse desfecho, o governo Lula já trabalha com a hipótese de que a intervenção seja decretada.
No epicentro de uma crise política que faz o DF agonizar desde novembro passado, quando foi deflagrada a Operação Caixa de Pandora, Arruda e Paulo Octávio são suspeitos de comandar o mensalão do DEM - esquema de formação de caixa dois para a campanha que os elegeu, em 2006, além de coleta e distribuição de propina. Eles negam as denúncias.
No lugar de Paulo Octávio, assumiu, na tarde de ontem, o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), prometendo não fazer “mudanças bruscas”. Aliado fiel de Arruda, Lima também fez parte da base do ex-governador do DF Joaquim Roriz (PSC), um dos principais beneficiados pela crise. “Não escolhi essa posição, mas não posso fugir à responsabilidade”, disse Lima, em nota.
Ensaiada desde quinta passada, a renúncia de Paulo Octávio só foi concretizada na manhã de ontem, após conversas com caciques do DEM, que reforçaram a disposição de expulsá-lo sumariamente da legenda.
“Nenhuma dessas premissas (apoio político) se tornou realidade e, acima de tudo, o partido a que pertencia solicitou aos seus militantes que deixem o governo. Sem o apoio do DEM, legenda que ajudei a fundar no DF e à qual pertencia até ontem, considero perdida as condições para solicitar respaldo de outros partidos no esforço de união por Brasília”, escreveu na carta de renúncia.
Paulo Octávio não apareceu publicamente. Mandou emissários entregarem a renúncia na Câmara Legislativa, e o pedido de desfiliação na presidência do DEM, no Congresso.
Na carta de renúncia, em seis páginas estampadas com o timbre do GDF, Paulo Octávio afirmou que deixou o cargo para “apaziguar os ânimos” e para garantir a governabilidade.
Apesar de não citar o nome de Arruda, afirma que o “titular”, mesmo preso, “continua a ser o governador da cidade”. “Pode, portanto, em tese, retornar às suas funções a qualquer momento”, escreveu. Caberá ao Supremo Tribunal Federal decidir se Arruda continua preso, acusado de subornar testemunhas do escândalo. A sessão está marcada para amanhã.
A renúncia de Paulo Octávio pegou desprevenidos aliados, secretários e até assessores pessoais do ex-democrata que, desde a semana passada, sabiam que a carta de renúncia estava pronta, mas não acreditavam que ela seria entregue.
Os primeiros sinais de que o governador interino planejava sua saída vieram quando uma reunião marcada para ontem à tarde foi transferida para hoje.