08 de julho de 2026
Internacional

Cúpula cria novo bloco sem EUA e Canadá

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Cancún - Os países de América Latina e Caribe aprovaram ontem, em cúpula regional no México, a criação de um novo bloco regional, sem os Estados Unidos e o Canadá. Os estatutos da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos serão definidos apenas em 2011, em reunião em Caracas (Venezuela), anunciou o presidente do México, Felipe Calderón.

O grupo, considerado uma versão B da OEA (Organização dos Estados Americanos), “deverá, prioritariamente, impulsionar a integração regional com o objetivo de promover nosso desenvolvimento sustentável, de impulsionar a agenda regional em fóruns globais, e de ter um posicionamento melhor frente aos acontecimentos relevantes mundiais”, disse Calderón ao ler parte da declaração final.

O grupo foi criado para que a região tenha uma voz uníssona nos fóruns multilaterais. O maior apoio à iniciativa vem dos dos presidentes de esquerda da região, como o venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Evo Morales, que defendem o novo organismo como uma opção ao “imperialismo” dos Estados Unidos.

A ideia é que o novo organismo reúna o Grupo do Rio e a Comunidade do Caribe (Caricom), funcionando paralelamente à OEA, criticada no seu papel de guardiã da democracia regional depois dos seus infrutíferos esforços para reverter o golpe de Estado de junho em Honduras.

Aos olhos dos especialistas, a OEA não conseguiu por completo integrar uma região dividida entre esquerda e direita. Cuba se nega a reintegrar o organismo, depois de uma suspensão de quase meio século por pressões dos EUA.

EUA

Antes da criação do novo grupo regional, autoridades americanas minimizaram os efeitos da Comunidade na OEA. O secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, afirmou em entrevista à rede americana CNN ontem que o novo bloco não competiria com a organização.

Burocracia

Um total de 25 chefes de Estado e de governo participam da cúpula, com sete chanceleres. Honduras, que estava na lista de 33 países que deveriam participar do encontro, foi excluído por estar suspenso da OEA (Organização dos Estados Americanos) desde o golpe de Estado de junho de 2009 que tirou Manuel Zelaya do poder.

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Reaproximação entre Chávez e Uribe

Cancún - O presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, vai coordenar um grupo de países que tentará esfriar os ânimos entre Venezuela e Colômbia, cujos presidentes protagonizaram uma áspera discussão na cúpula de Cancún.

Em um almoço anteontem, os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e da Venezuela, Hugo Chávez, protagonizaram uma ferrenha troca de acusações. Uribe comparou o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba com o tratamento comercial dado pela Venezuela à Colômbia. De acordo com funcionários do governo venezuelano, a acusação deu início a uma discussão em que Chávez foi interrompido por Uribe quando tentava explicar que o comércio bilateral se multiplicou por oito desde sua chegada ao poder, em 1999.

Em outro ponto da discussão, Chávez disse que deixaria o recinto, mas foi interrompido por Uribe. “Seja homem, fique aqui e falemos de frente, porque o senhor às vezes insulta à distância”, afirmou o presidente colombiano.

Segundo Calderón, após o incidente, os dois países se propuseram a ter “um diálogo respeitoso” e construir as condições que o tornem possível, evitando recriminações.

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Lula critica britânicos e ONU e é elogiado por Calderon

Cancún - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a posição do Reino Unido, que já está prospectando petróleo nas águas das Malvinas, e a da ONU, por não intervir para defender as pretensões argentinas de soberania sobre as ilhas. Criticou ainda os EUA ao dizer que as potências tornam as Nações Unidas irrelevantes em questões mundiais.

Lula questionou durante seu discurso no fim da Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe, no México, o fato de as ilhas pertencerem ao Reino Unido - algo que remonta à presença britânica estabelecida em 1833.

“Qual é a explicação geográfica, política e econômica de a Inglaterra estar nas Malvinas? Qual é a explicação política das Nações Unidas já não terem tomado uma decisão dizendo “Não é possível que a Argentina não seja dona das Malvinas e seja um país que está a 14 mil km de distância das Malvinas?’”, questionou Lula. “Será que é o fato de a Inglaterra participar como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, e eles podem tudo e os outros não podem nada?’’, disse.

Elogio a Lula

Após o discurso de Lula, o presidente mexicano, Felipe Calderón, em tom de despedida, lembrou que o brasileiro está em seu último ano de mandato e o chamou de “líder indiscutível da nossa região, que dá enorme força e equilíbrio à América Latina’’.

“O Brasil é o nosso maior país, o que tem mais território, o que tem mais habitantes, também teria de ter forçosamente um grande presidente, como é Lula da Silva”, disse Calderón, seguido de aplausos.