De onde vem o som que movimenta o dançarino? Essa é a dúvida que o coreógrafo Frank Ejara quer plantar no público que for assistir sua apresentação, hoje à noite, no Serviço Social do Comércio (Sesc). Com “Som do Movimento”, o criador da companhia “Os Discípulos do Ritmo” manipula o som e constrói sua performance mesmo na ausência da música propriamente dita. O espetáculo será às 21h e a entrada é gratuita.
“A ideia do espetáculo é que as pessoas tenham a impressão de que o som sai do meu corpo. O público fica em dúvida se o som está vindo da caixa de som ou do movimento, e tem toda uma brincadeira em torno disso”, explica Ejara sobre a apresentação, desenvolvida a partir de diversos estilos de dança urbana como popping, locking, waving, boogalloing e robot.
Em cartaz há cinco anos, “Som do Movimento” estreou no Festival Macadan, em Aix En Provence, na França. “Temos trabalhado e viajado bastante, temos um reconhecimento no exterior grande, o que demonstra que a dança urbana tem sido reconhecida e está no circuito como qualquer outra dança”, afirma o coreógrafo que, desde 1996, dedica-se ao estudo das origens e fundamentos do estilo.
“Ainda existe um caminho a ser percorrido, mas as coisas têm mudado aos poucos, acredito que muito pelo amadurecimento de quem pratica. As pessoas têm levado as coisas cada vez mais para o lado profissional e a dança vai ganhando outro tipo de olhar e respeito”, completa.
Em abril, a companhia criada por Ejara estreia o espetáculo “Urbanóides”, na Capital paulista. “O espetáculo tenta traçar um perfil do homem dos novos tempos. Quando você mora em grandes centros as pessoas se preocupam com o trabalho, esquecem seus semelhantes e as coisas mais simples da vida. A intenção é passar essa frieza”, adianta. Na sequencia, “Os Discípulos do Ritmo” embarcam para China, com apresentações de “Geometronomics” e “Fresta”, espetáculo destaque no Festival de La Villete 2004, na França.
Em sua trajetória, o grupo traz ainda uma parceria com o Ballet Stagium no espetáculo “À Margem dos Trilhos”, em 2001; abertura de shows do bailarino e coreógrafo alemão Storm na Argentina, França e Bélgica, de 2001 a 2003; além de trabalhos com o diretor Henrique Rodovalho, do grupo Quasar.
• Serviço
Espetáculo de dança “Som do Movimento” hoje, às 21h30, no Sesc (avenida Aureliano Cardia, 6-71). Entrada gratuita. Informações: (14) 3235-1750.