09 de julho de 2026
Articulistas

Inchaço da máquina é mito

José Dirceu
| Tempo de leitura: 2 min

Um dos carros chefes do discurso da oposição é o inchaço da máquina pública. O mito não resiste a uma simples comparação entre o serviço público de São Paulo, governado pelos tucanos desde 1995, e o do federal, governado pelo PT desde 2003. Em São Paulo, os principais cargos do governo são ocupados há 16 anos por PSDB e aliados, todos com carteirinha do partido e indicados por deputados ou por lideranças tucanas. Assim, o problema é mudar a Constituição para que os cargos de confiança sejam exclusivos de servidores públicos concursados, com exceção mínima a postos de confiança de primeiro escalão.

A crítica à nomeação de sindicalistas se constitui em grosseiro preconceito de setores acostumados a um monopólio da representação popular e dos cargos de direção no Estado, particularmente do meio acadêmico e político. Daí a rejeição ideológica e de classe à participação de trabalhadores na gestão do Estado. Se fizermos um balanço da gestão dos sindicalistas nos bancos públicos, fundos de pensão, Ministérios e mandatos parlamentares, veremos que estão à altura dos cargos, como demonstra o sucesso da Petrobras, do Banco do Brasil, da Previ, do Funcef, da Petrus, apenas para citar as mais importantes.

O dedo em riste, no fundo, tenta criminalizar a reorganização do Estado. O serviço público carece de contratações de professores, médicos, policiais, delegados, juízes, promotores, gestores, assessores, diretores e planejadores. Funcionários para controlar e fiscalizar a aplicação do dinheiro público e planejar, gerir e dirigir o Estado e nosso desenvolvimento, mas também para prestar serviços de Saúde, Educação, Justiça e Segurança para você, sua família, comunidade e cidade.

Esse trabalho permite oferecer serviços qualificados de saneamento e habitação popular. Mas também recuperar e construir estradas, ferrovias, aeroportos e portos, gerar energia, descobrir o pré-sal, enfim, fazer o país crescer e se desenvolver, distribuindo renda e criando empregos. Os números não mentem: em São Paulo, os demo-tucanos empregaram entre 2003 e 2009 novos 53.056 servidores públicos (10,92% a mais), e o Governo Federal, 87.227 (12,85%). Em 2008, São Paulo tinha 538.797 servidores; a União, 765.785. Com uma diferença: enquanto o Governo Federal acabou com o arrocho salarial e a terceirização, o paulista ampliou o aperto, inclusive de aposentados, além de introduzir a terceirização e os temporários, via contrato precário. Esses são os fatos e os números que desmentem mais um mito tucano, o do inchaço da máquina pública federal.

O autor, José Dirceu, é advogado e ex-ministro da Casa Civil