A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) deferiu, na tarde de ontem, a licença de funcionamento da cápsula de cobalto utilizada na radioterapia do Hospital Manoel de Abreu em Bauru. Resta agora a inspeção da Vigilância Sanitária do Estado, que será solicitada na próxima semana, pela direção do Hospital Estadual (HE), que administra a unidade, para que o tratamento seja reiniciado imediatamente no município.
A expectativa é que o serviço comece a ser disponibilizado aos pacientes em março, uma vez que a cápsula está instalada no Manoel de Abreu desde o dia 7 de janeiro e o equipamento está pronto para entrar em funcionamento a qualquer momento, só aguardando os trâmites burocráticos. A notícia servirá de alento aos 40 pacientes que, desde o ano passado, realizam o tratamento no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, que fica a 47 quilômetros de Bauru.
A radioterapia em Bauru foi desativada no dia 10 de junho do ano passado. Na época, foi detectada que a ampola de cobalto, responsável por emitir a radiação necessária para o combate ao câncer, estava com atividade muito baixa e precisaria ser trocada. Por ser material tóxico, a Vigilância Sanitária determinou a desativação temporária do aparelho para garantir a segurança dos pacientes e funcionários.
Novela
Como os equipamentos de radioterapia são importados dos Estados Unidos, assim como suas peças, a reposição da ampola de cobalto teve de obedecer ao trânsito burocrático para chegar até a cidade. O material precisou ser liberado no aeroporto de Campinas e transportado com escolta até Bauru. O Ministério do Trabalho também teve de autorizar a entrada de técnicos norte-americanos para instalar o equipamento. A fonte de cobalto chegou no Brasil no dia 1º de setembro de 2009 e só pode ser instalada neste ano.
O serviço chegou a estar na mira da CPI do Erro Médico da Assembleia Legislativa do Estado de SãoPaulo (AL). Declarações à CPI haviam revelado que o equipamento tinha a metade da dose exigida por resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quando foi inutilizada, no final de maio de 2009. Mesmo constatada a baixa potência do material um ano antes, a Cnen emitiu autorização para o funcionamento do equipamento até 2010.