10 de julho de 2026
Política

Campos cobra Tuma na aliança tucana

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

O deputado estadual Campos Machado (PTB), principal liderança do partido no Estado de São Paulo, reivindica uma vaga para o senador Romeu Tuma na chapa do tucano de José Serra, que o PSDB promete anunciar em março como candidato a presidente da República. O deputado estadual percebe a urgência de neutralizar os comentários que circulam no Estado todo de que repetirá a dobradinha de 2008 quando saiu candidato a vice de Geraldo Alckmin na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Em 2000, Machado também foi vice do ex-governador quando ele se candidatou a prefeito. Na ocasião, o tucano foi vencido pela ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT).

Machado circula o Estado em campanha por Tuma, como nas inaugurações de dois escritórios regionais do partido – o 24º em Araçatuba, anteontem, e o 25º em Promissão, ontem – e em passagem rápida ontem por Bauru para cumprimentar o aniversariante, o petebista Ricardo Oliveira, secretário das Administrações Regionais (Sear) de Bauru e presidente municipal da legenda.

Campos Machado aproveitou para criticar a maneira como se negociou o acordo que define o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia candidato ao Senado na chapa de Serra. “Veja a situação surrealista que existe. O Serra... A vaga do PMDB ao Senado, ela foi articulada na campanha de 2008, quando o PMDB apoiou a candidatura contrária a do PSDB em São Paulo, do Geraldo Alckmin, da qual eu fui vice. Então, o prêmio para que um partido ficasse contra o candidato do PSDB é a vaga do Senado. Eu pergunto: ‘Qual é o prêmio que tem o partido que ficou coligado ao PSDB em São Paulo em 2008?’”, questiona, em relação ao acordo político.

Machado, na condição de secretário-geral da nacional e comandante do PTB no Estado, garante que não está cobrando o PSDB: “Estou reivindicando aquilo que eu considero ser questão de justiça”, pontua. Ou seja, para bom entendedor, ele quer que os tucanos cumpram o que foi costurado lá atrás.

Lealdade

O discurso do petebista começa a ganhar nuances à medida que as articulações políticas vão se afunilando e pode haver risco de azedar algum acordo do passado. Campos Machado justifica o direito da vaga para Tuma colocando na mesa de negociações a “lealdade ao PSDB”.

“Eu conduzo meu partido baseado exclusivamente em lealdade. Nada é mais natural do que o nosso partido tenha reconhecido o nosso direito de indicar hoje a vaga ao Senado para o senador Romeu Tuma”, ressalta. Ele lança como argumento o fato de que Tuma estaria com mais de 30% em pesquisa do Ibope.

O deputado acrescenta que, em abril do ano passado, quando o partido iniciou o ciclo de inaugurações de escritórios regionais, Tuma aparecia em pesquisas com apenas 12%. De acordo com Campos, o senador aparece com 27% no DataFolha, cinco pontos atrás do líder, o senador Aloizio Mercadante (PT) . “Sete pontos à frente do Quércia. Em face da lealdade com que eu venho agindo em relação a PSDB, de que nosso partido, pela grandeza atual, participe do chamado G-4”, alfineta.

Ele ainda lembra que seu grupo político abre mão de ter candidatura própria, pelo menos até 2011, ao governo do Estado de São Paulo. Mas quer e articula a vaga de Tuma na chapa serrista. “Eu estou defendendo o contrário do que se propaga aí, que eu sou candidato a vice-governador. Estou defendendo que o partido indique neste G-4 o nome de Romeu Tuma para reeleição ao Senado”.

Campos comenta que sabe do comentário no Estado todo sobre a repetição da dobrada nas eleições de 2008 em São Paulo, em que foi candidato a vice de Alckmin. “Mas estou trabalhando por Romeu Tuma, a quem eu trouxe para o PTB, para que seja nosso candidato à reeleição”, faz questão de frisar.

O deputado estadual afirma que tem o compromisso do presidente Nacional do PTB, o ex-deputado federal Roberto Jefferson de fazer o partido apoiar nacionalmente a candidatura de Serra.