Os chilenos que vivem em Bauru viveram horas de angústia ontem pela demora em conseguir notícias por telefone dos familiares que estão no Chile, abalado por forte terremoto de 8,8 pontos na escala Richter. As telefonias fixa e móvel foram sendo restabelecidas gradativamente e de maneira distintas, dependendo da região do país. A tensão só não foi maior do que a experiência aterrorizante vivida pelo povo chileno vítima, ontem, do maior terremoto dos 25 anos, que só foi menor no século 20 que os 9,5 de magnitude atingidos por um tremor na cidade de Valdívia e que causou a morte de 1.655 pessoas em 1960. A bauruense Paula Della Barba estava em Santiago, acordada, no momento do tremor e relata nesta página as terríveis sensações da tragédia.
O chanceler da Universidade do Sagrado Coração (USC), o chileno Rodrigo Rocha, só conseguiu contato telefônico com seus familiares às 14h de ontem, horário de Brasília. O foco maior do terremoto foi nas proximidades da cidade de Concepción, a cerca de 500 km de Santiago, capital do Chile. A ansiedade era grande e aumentava enquanto Rocha não conseguia notícias dos três filhos – dois rapazes e uma moça –, que cursam universidade em Santiago, de sua mãe dona Elena, de 79 anos, e da avó Margarita, de 95 anos, do irmão e de primos. Quando estabeleceu contato telefônico, Rocha foi tranquilizado com os familiares relatando que houve apenas pequenos estragos em telhados. Ele reside com a esposa e dois filhos em Bauru há quase quatro anos.
Já o também chileno Enrique Corthorn, diretor de comunicação e marketing da USC, disse que seu pai Willian, de 81 anos, comentou por telefone que o tremor apenas quebrou um copo. Ele respirou mais tranquilo ao falar ao meio-dia de ontem (horário de Brasília) com o pai, que reside em Santiago mas aproveita o final das férias no litoral, junto com a mãe de Corthorn, Enriqueta, de 77 anos, e as famílias de seus três irmãos. O imóvel fica na praia de Santo Domingo, a 100 quilômetros da capital Santiago. “Eles dizem que estão restituindo aos poucos. Mas a comunicação está ainda muito ruim”, explica.
Corthorn descreveu que a ansiedade foi alimentada pela falta de notícias precisas. “Quando você não tem informação é aí que você tenta não imaginar o pior, mas imagina de tudo. Uma experiência que a gente não quer”, define a ansiedade vivida ontem.
Convivência
Ele comenta que os chilenos estão acostumados a conviver com tremores. Corthorn vivenciou um terremoto em 1985 em Santiago do Chile, porém infinitamente menor do que o abalo de ontem. Ele vive com a esposa e dois filhos em Bauru há cerca de três anos. Corthorn explica que grande parte das construções chilenas utilizam tecnologia para suportar os movimentos de terra. “Se fosse um terremoto assim em outro lugar, acho que teria caído tudo”, comenta.
No entanto, Rodrigo Rocha lembrou que nem todos os chilenos vivem em moradias capazes de suportar grandes abalos. Ele comenta que há uma parcela de chilenos que deve sofrer muitas perdas com o terremoto, porque eles residem em imóveis de menor resistência. O epicentro do terremoto no Chile ocorreu a 35 quilômetros de profundidade, na região de Bio Bio, a cerca de 320 quilômetros ao sul de Santiago, e a 91 quilômetros ao norte de Concepción, segundo informações da United States Geological Service (USGS). No último dia 12 de janeiro, a capital haitiana Porto Príncipe foi devastada após um terremoto de 7 graus na escala Richter.