08 de julho de 2026
Geral

“A rua estava se movendo”


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Marcela Ferraz Viana é uma estudante de jornalismo mineira. Em seu blog, ela faz o seguinte relato.

“Após 35 anos, o Chile volta a sofrer com um terremoto que atingiu os quatro cantos do país e matou cerca de 200 pessoas. Sim, isso está acontecendo de fato. Por volta das 3 horas e 30 minutos da madrugada de hoje, estávamos eu e um grupo de brasileiros e chilenos em uma festa dentro do albergue em que vivo. Estávamos nos divertindo quando sentimos o começo do tremor e achamos que não fosse nada. Mas ele ficou mais forte, sentimos o chão balançando e uma confusão na rua. A energia acabou e os celulares e a Internet idem. Corremos todos para a rua e, pasmem, ela estava se movendo como se um gigante estivesse a sacudindo com a mão. As pessoas se juntavam na rua e algumas choravam, os alarmes dos carros disparavam e eu realmente fiquei sem entender o que estava acontecendo. Até que os chilenos que estavam conosco nos aconselharam a ir até a praça mais próxima porque o que estava acontecendo era um terremoto e que poderiam haver “réplicas”, ou seja, tremores menores, mas não menos perigosos. A rua onde estou vivendo, no Bairro Patrimonial de Santiago, há alguns destroços. O epicentro foi a mais ou menos 400 quilômetros de Santiago, na região de Maule. A qualquer momento pode ocorrer outro terremoto e estamos todos bem e atentos aos movimentos mais fortes. Até o momento são 147 mortos, em Santiago foram três mortos, de infarto. As pessoas só falam disso nas ruas e na imprensa. Caíram pontes em todo país, as estradas estão péssimas, o aeroporto internacional fechado e em Santiago o comércio quase não abriu e os metrôs não estão funcionando, há gente desabrigada e muitos na rua, sem coragem de voltar às suas residências”.