08 de julho de 2026
Geral

‘É pânico, desespero caótico...’


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Diálogo da bauruense Paula Della Barba com a mãe, Márcia Della Barba, ontem, por volta de 12h30, via Internet. Paula está no Chile há um mês aperfeiçoando seu espanhol. Ela voltaria ontem ao Brasil e a Bauru.

“Você não tem ideia do que eu passei aqui. Foi muuuuuuuito forte, mãe, o mais forte desde 1985. Você não pode imaginar a sensação... Os aeroportos estão fechados, tá o caos, não sei quando vou poder sair daqui. Ai, mãe... é pânico, desespero caótico, abriu um buraco na estrada, não estão passando carros. Também caíram pontes. Aiiiii, Deussss, e não para, toda hora treme um pouquinho mais.

“Pensei que tivessem colocado droga na bebida...”

Umas duas horas atrás (10h, horário de Brasília) tremeu muito forte de novo, mas a casa em que estou é antiga e não é perigosa. Na hora, pensei que tivessem colocado droga na minha bebida. O chão começou a tremer e, de repente, todos em pânico, correndo pra fora, a rua lotada, sem eletricidade, com ambulâncias por todo lado. Começamos a voltar a pé, pedimos carona, tava com medo de andar na rua e as coisas caírem.

Os chilenos estavam em pânico, mas ainda assim solidários

“Entrei em choque, minha boca não fechava...”

Meu voo seria às 8h, meu “transfer” era às 4h45 e não havia táxi... Claro, gente sangrando na rua...

Foi muito estranho. A notícia aqui é que vai levar 72 horas para abrir o aeroporto. O pessoal que estava junto comigo o restaurante tirou umas fotos, mas eu não pude, entrei em choque, minha boca não fechava. Agora fico aqui até liberar (o aeroporto). Minha amiga acabou de ir na embaixada do Brasil.

“De repente alguém gritou: terremotoooo...”

Mãe pergunta: vai poder continuar nessa casa?

Paula diz: Sim... essa casa é segura, as novas construções, incrivelmente, são as mais frágeis, mas essa aqui não, não trincou nada, está intacta.

Mãe pergunta: Houve outros tremores?

Paula diz: Não, agora não. Na hora pensei que tivesse borracha, me assustei com a sensação, mas quando olhei pro pessoal, tava todo mundo com a mesma cara... a mesma sensação... e de repente alguem gritou terremotooooooo... e todos saíram correndo, deixei minha bolsa e meu casaco onde estavam... e corremos até a rua... e não parava... o chão se mexia muito... Pra cima, pra baixo, pro lado, pro outro, que loucuraaa, mas daí foi acalmando

“Parecia aqueles filmes sobre o fim do mundo...”

Em seguida, ouve abraços, mãos dadas, gritos, choros loucos... gente que adorou... que vibrava, tinha até ladrão que aproveitou a situação e eu tava no bairro que é o bairro dos bares e restaurantes. Todo mundo saiu pra rua, a polícia gritava e mandava todos irem para a avenida Providencia, porque não tinha perigo de prédios caírem, Então fomos.... parecia aqueles filmes de fim do mundo, sabe? Sem energia na cidade inteira, um breu, encontrei uns amigos da escola na rua e estavam tranquilos, como se nada tivesse acontecido. E eu, quase chorando, abraçava todo mundo... achava que ia morrer...”