Apesar de terem se passado quase 15 anos desde que o viaduto foi abandonado aos pedaços sobre o pátio da Estação Ferroviária da Noroeste do Brasil, as condições gerais da obra continuam boas. A avaliação é dos engenheiros civis Heitor Miranda Bottura e Cláudio Vidrih Ferreira. A convite do Jornal da Cidade, eles fizeram uma visita ao viaduto e gostaram do que viram.
A análise foi apenas visual, ou seja, não teve nenhum embasamento em estudo, mas serviu para constatar que, aparentemente, o município não precisará gastar grandes quantias para recuperar o que o tempo danificou.
“Visualmente, não dá para afirmar nada, mas o estado geral do viaduto está em boas condições”, diz Bottura, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru e especialista em patologia de estruturas de concreto armado. Segundo ele, o fato da superfície dos pilares de sustentação do viaduto continuar lisa, e não porosa, é um indicador da boa qualidade do material.
As marcas escuras que podem sugerir infiltração na estrutura são sujeiras acumuladas pela umidade que em nada comprometem a obra. Até mesmo a estrutura metálica das vigas de sustentação da segunda parte do viaduto que começou a ser feita pelo ex-prefeito Antonio Izzo Filho, em 1997, surpreenderam positivamente o especialista pelo nível de conservação.
Há três anos, Bottura fez parte de um grupo de profissionais que analisou detalhadamente as estruturas do viaduto a pedido da Câmara Municipal. Na época, chegou-se à conclusão de que, apesar do tempo de abandono, as condições estavam boas e que as reparações que se faziam necessárias demandariam um gasto reduzido.
De acordo com a impressão que teve da obra durante a visita feita na semana passada, o professor Cláudio Vidrih, também da Unesp e especialista em patologia das construções, disse que todos os problemas provocados pela ação do tempo são perfeitamente sanáveis.
Ele lembra do viaduto da rodovia Castelo Branco, próximo a Pardinho, que ficou muitos anos abandonado e teve as obras retomadas. Vidrih considera o caso do viaduto de Bauru semelhante.
O contrato da Prefeitura de Bauru com a Camargo Corrêa prevê seguro para a obra e manutenção do canteiro existente, mesmo com a paralisação dos serviços.
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Envolvimento
O término do viaduto que servirá para ligar o Jardim Bela Vista à Vila Falcão é de fundamental importância para o desenvolvimento da cidade, na opinião de Luiz Roberto Pagani, presidente do Sindicato dos Engenheiros da região de Bauru. Por interferir na vida de muita gente, ele defende que a prefeitura deveria envolver entidades de classe na discussão sobre as prioridades para o município.
Ele diz que o poder público não fez isso quando decidiu construir o viaduto e não está fazendo agora na possível retomada da obra. “É um elefante branco que precisa de uma solução. Eu entendo que deva ser concluído. É um sistema viário importantíssimo para Bauru, mas precisaria envolver o maior número possível de entidades de classe e a população nesse debate”, sugere. Pagani defende a execução completa da obra como forma de desafogar o trânsito do Centro da cidade e não causar problemas em outros pontos.