Nos últimos três anos (2007 a 2009), o Estado de São Paulo investiu mais de R$ 14 milhões em mobiliário, equipamentos e obras nas 20 Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) instaladas em 18 municípios da região de Bauru. Juntas, elas oferecem mais de 6,1 mil vagas entre ensino médio e cursos técnicos.
Tudo indica que esse crescimento não deve parar. Para 2011, o Plano de Expansão para a Educação Profissional – do Governo do Estado – prevê a implantação de mais uma Etec na região, em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). A princípio, a futura unidade deve oferecer ensino médio e quatro cursos técnicos: comércio, edificações, máquinas e operação de equipamentos agrícolas e química.
Segundo dados do Centro Paula Souza, a Etec Rodrigues de Abreu, em Bauru, recebeu mais de R$ 237 mil nos últimos três anos. A instituição oferece 160 vagas para o ensino médio e 160 distribuídas entre os três cursos técnicos: administração, enfermagem e segurança do trabalho. Além desses, a escola possui o curso de informática.
Já a Etec Comendador João Rays, de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) – a melhor Etec da região segundo o Exame Nacional do Ensino Médio (a pontuação na avaliação de 2008 foi de 64,91) – foram repassados mais de R$ 320 mil entre 2007 e 2009. Desde janeiro deste ano, a instituição passa por obras de ampliação. A previsão de investimento do Governo do Estado é de R$ 2,1 milhões.
Jaú (47 quilômetros de Bauru) é sede de duas unidades da instituição. A Etec Joaquim Ferreira do Amaral oferece ensino médio e sete cursos técnicos. No período citado, foram R$ 508,1 mil investidos. A Etec Professor Urias Ferreira trabalha apenas com cursos técnicos e recebeu investimento de R$ 316,8 mil.
Juntas, as Etecs Professora Helcy Moreira Martins Aguiar, de Cafelândia (83 quilômetros de Bauru) e a de Lins (102 quilômetros de Bauru), receberam mais de R$ 819,7 mil.
Desenvolvimento
O crescimento pela procura por cursos técnicos está diretamente relacionada à fase de desenvolvimento do Brasil. Segundo Paulo Ney Jansen Branco, supervisor educacional do Centro Paula Souza – instituição do Governo do Estado vinculada à Secretaria de Desenvolvimento – as empresas e os projetos, para atrair novos investimentos requerem mão de obra especializada devido ao desenvolvimento dos produtos. “A realidade hoje é que existe oferta de emprego, tem muita gente procurando trabalho, mas a mão de obra ofertada mutias vezes não se enquadra no perfil profissional procurado”, afirma. “Existe uma carência de profissionais qualificados e, em resposta a essa demanda, o Centro Paula Souza tem direcionado sua oferta para a formação deste tipo de trabalhador, em nível técnico e tecnológico”, acrescenta.
Situação que pode ser constatada na expansão acelerada da criação de vagas e escolas no setor. Em 2003, o Estado possuía cerca de 100 instituições técnicas com 75 mil alunos matriculados, de acordo com dados do supervisor educacional. Hoje, são 179 escolas com mais de 150 mil estudantes. “Essa foi uma estratégia que o Estado adotou para atrair investimentos”, revela Branco.
Para Lourenço Magnoni Júnior, doutor em Educação para a Ciência e diretor da Escola Técnica Estadual (Etec) Astor de Mattos Carvalho de Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru), o País enfrenta um gargalo em relação a qualificação de mão de obra.
“Vivemos em um momento no mundo com novas tecnologias, a chamada Terceira Revolução Industrial. São tecnologias flexíveis e cada dia mais complexas. Para que o Brasil possa aproveitar o seu potencial e ampliar investimentos, é preciso qualificar mão de obra”, assegura.