Localizada no coração no Núcleo Presidente Geisel, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) de Bauru completa amanhã 30 anos de existência. Após três décadas de existência, o estabelecimento se tornou referência para a região, mas ainda é pouco frequentado pelo público bauruense e não tem a preferência dos grandes estabelecimentos locais, que optam por fazer as compras fora da cidade.
A reclamação parte dos permissionários entrevistados pela reportagem. Dentre as alegações feitas, está o inconformismo com a pouca valorização do público local e o espanto em constatar que os principais clientes vêm de cidades da região.
“A Ceagesp de Bauru é pouco valorizada pelos grandes estabelecimentos comerciais, que, muitas vezes, se dão ao trabalho de trazer as mercadorias da unidade de São Paulo”, reclama Josué Boiani, 56 anos, representante dos permissionários.
Outra queixa está relacionada às exigências feitas por estes estabelecimentos em troca da compra de produtos no local. “Eles pechincham o menor preço para levar a mercadoria de melhor qualidade e, além disso, querem brindes e a disponibilização de pessoas para reabastecer os estoques”, acrescenta.
Em contrapartida, cerca de 75% do movimento diário do local acontece por conta de clientes vindos de diversas cidades da região. Caminhões de supermercados, varejões, quitandas e restaurantes começam a movimentar a Ceagesp por volta das 3h da madrugada.
Segundas e quintas-feiras são os dias de maior movimento, sendo que, no primeiro dia, o abastecimento é feito para a semana. Já no segundo dia, a compra é realizada por conta do aumento da procura nos estabelecimentos nos finais de semana.
Para retribuir a preferência dada à Ceagesp pelos consumidores da região, a gerência do local criou um programa de antecipação de entradas. “A Ceagesp só abre às 6h, mas percebemos que de madrugada já se formava uma fila de caminhões do lado de fora, que queriam abastecer logo e ir embora. Isso estava causando um risco a essas pessoas, aumentando a possibilidade de assaltos, por isso decidimos vender as entradas antecipadas, dando a opção do cliente vir às 4h e às 5h também”, afirma o gerente, Antônio Carlos Sanches Ragonezi.
____________________
Produção regional
Entre os produtos mais procurados no entreposto estão a laranja e o limão, que demoram poucas horas para chegar do produtor ao Ceagesp. Isto porque a região de Bauru, incluindo a própria cidade, já dá conta de produzir boa parte dos hortifrutigranjeiros. Motivo de comemoração por parte do consumidor, que consegue levar para casa produtos mais frescos e com um preço menor.
“Hoje em dia pouca coisa tem de ser importada. Temos uma região autosuficiente, capaz de produzir boa parte dos alimentos que precisamos. Em Bauru, por exemplo, temos grandes produtores de caqui, melancia, abacaxi, goiaba, uva niágara, laranja e limão”, afirma Marcos Silva, 46 anos, permissionário da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) de Bauru.
Para os permissionários que também são produtores, como é o caso de Hélio Lira, 63 anos, ter alimentos vindos da região é sinônimo de economia para o consumidor final. “O produto é vendido sem ter todas aquelas taxas de transporte e importação, isso faz uma boa diferença. Nos casos de comerciantes que vendem a própria produção, como eu, por exemplo, conseguimos oferecer um produto de boa qualidade a preço bem menor”, garante.