11 de julho de 2026
Política

Mato e sujeira lideram reclamações em diferentes bairros

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Como já dizia a marchinha, todo Carnaval tem seu fim. É quando o ano realmente começa para uma parte dos brasileiros e chega a hora de começar a colocar a casa em ordem. Mas, na esfera pública, a sensação de “ressaca” ainda é evidente em ruas de diversos bairros de Bauru.

Depois que a festança acabou, dezenas de moradores voltaram a se incomodar com o lixo, entulho, mato alto e abandono de prédios e terrenos do município e procuraram o JC para reclamar. Em um passeio da equipe de reportagem por algumas das regiões apontadas como críticas, não foi difícil constatar a condição de penúria em que a cidade se encontra.

Uma situação corriqueira, mas bastante grave, é o depósito de galhos e folhas sobre as calçadas sem a devida coleta em curto prazo. Moradora da quadra 3 da rua Floriano Peixoto, no Centro, a aposentada Maria de Lourdes Felício, por exemplo, conviveram vários dias com o problema. Na verdade ele persistiu desde antes do Natal passado. Apenas nos últimos dias a prefeitura retirou os resíduos da rua.

Na época, uma árvore teria sido cortada pela CPFL Paulista e os restos deixados em frente à sua casa, praticamente impedindo o trânsito de pedestres no passeio público. “Era um perigo porque se passaram dois meses e as folhas ficaram secas. O risco de incêndio aumentou e os carros estacionaram bem do lado”, comentou, lembrando também que o local foi ambiente propício para baratas e escorpiões se proliferarem.

A falta de educação da população também contribui para agravar o problema, já que copos, garrafas, uma gaveta de madeira e até uma estrela de Natal já foram jogadas sobre a montanha de galhos. “Percebi que o número de pernilongos em casa aumentou. Depois começam os casos de dengue e ninguém toma providência”, reclamou.

Assim como na rua Floriano Peixoto, amontoados de lixo também foram detectados na quadra 8 da rua 1º de Maio e quadra 8 da rua Santos Dumont, na Vila Quaggio, na quadra 1 da Pinheiro Machado, no Jardim Vânia Maria e na rua 15 de Novembro, na região Central.

Mau cheiro

Mas tem problema que ainda continua nas ruas. No Jardim Bela Vista, a cabeleireira Cleide Ishiki Barbosa sofre com o cheiro de urina em frente ao seu salão, na calçada de uma escola estadual. No local, gatos se embrenham pelos galhos de duas árvores que foram cortadas em caráter de urgência pelo Corpo de Bombeiros, ainda na semana que antecedeu o Carnaval.

Até hoje, o entulho permanece ocupando uma extensão de cerca de 20 metros, que deveria ser diariamente utilizada pelos alunos na entrada e saída das aulas caso o passeio não tivesse sido totalmente interditado.

“Além de ser um problema para a escola, é ruim para mim. Minhas clientes chegam e sentem esse cheiro de urina, que fica ainda mais forte com o calor. É muito desagradável e nada compatível com o meu ambiente de trabalho”, observa, apontando também um grande cupinzeiro que ameaça uma das árvores que não foi cortada.

Outra dificuldade frequente são as caçambas para o recolhimento de entulho da construção civil, sempre abarrotadas pelo depósito de lixo doméstico. Porém, neste caso, a administração pública não tem responsabilidade. Isso porque os próprios vizinhos tratam de encher caçambas com lixo. Foi assim na quadra 13 da rua Xingu, na Vila Brunhari, onde dois dispositivos permaneceram dias nestas condições, acumulando mau cheiro e microorganismos nocivos à saúde a céu aberto. A situação só foi eliminada quando a caçamba saiu. Mas, neste caso, o lixo foi parar no bolsão, o que apenas desloca o problema.

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Mato alto

Na Praça do Penta, no bairro Alto Paraíso, o mato alto encobriu totalmente o que deveria ser um espaço de lazer e descanso para os moradores da região durante semanas. Um deles, o autônomo Mauro Ernandes Martins, cobra que, além de manutenção, falta investimento para que o local tenha função além de abrigar o obelisco de homenagem ao Pentacampeonato do Brasil na Copa do Mundo.

O mato foi cortado, mas a sujeira permanece por lá. “Aqui não tem nada, nem um calçamento sequer para que as pessoas possam ao menos transitar. Só tem braquiárias e as placas do Penta”, ironiza. Nos canteiros que se prolongam a partir da praça, a situação é a mesma, assim como na quadra 8 da rua Luiz Bertoni, na Vila Rocha, bairro bem próximo dali.

De acordo com o prefeito, o mutirão de limpeza dos terrenos públicos foi iniciado logo nas primeiras semanas do ano nas principais avenidas da cidade, sendo estendido, na sequência, às praças e canteiros dos bairros.

A questão era saber se a medida incluiria a limpeza do antigo prédio da Unidade Básica de Saúde da Vila Dutra, que está abandonado há mais de um ano. “O mato está bem grande e, à noite, os vândalos aproveitam para quebrar tudo. Os alambrados estão destruídos, assim como portas e janelas de vidro. Se continuar do jeito que está, o prédio vai acabar indo ao chão”, reclama o morador do bairro, Everaldo Augusto.

Segundo Agostinho, o prédio será reformado assim que o conselho gestor da unidade aprovar o novo projeto da obra, que já está sendo elaborado. “Fizemos um projeto no ano passado, que não foi aprovado, então estamos aguardando submeter um outro à apreciação do conselho. Mas nossa expectativa é de que, ainda este ano, a unidade volte a funcionar”, frisa o prefeito.