08 de julho de 2026
Internacional

Mortos no Chile já passam de 700


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Santiago - A confirmação de 708 mortos e um número incontável de feridos. Saques a supermercados e farmácias em diversas cidades onde a população ficou sem acesso a gêneros de primeira necessidade. Ameaça de desabastecimento de combustível na Capital, Santiago. Esse era o cenário do Chile ontem, após o terremoto de 8,8 graus na escala Richter, que atingiu o país na madrugada de ontem.

A presidente Michelle Bachelet enviou o Exército para controlar os distúrbios nas áreas mais afetadas, e decretou estado de “exceção constitucional por catástrofe’’ em Maule (que contabiliza 541 mortos, sendo 356 na cidade de Constitución) e Bío Bío, onde se localiza Concepción.

Esta está sob o comando das Forças Armadas e com toque de recolher instaurado, depois que a administração local alertou que a situação estava “saindo do controle’’.

O governo fez ainda acordo com cadeias de supermercados para a distribuição gratuita de água e outros gêneros de primeira necessidade, na tentativa de evitar os saques. Há relatos, no entanto, de que aproveitadores invadem supermercados para roubar outros tipos de produtos.

O Ministério da Defesa admitiu ontem um erro na administração da tragédia, quando descartou a possibilidade de tsunami na costa sul. Ondas gigantes atingiram as regiões de Maule e Bío Bío. Fora do Chile, não foram registradas mortes ou danos graves provocados pelas ondas das áreas do Pacífico onde foram emitidos alertas.

Bachelet afirmou que “o passar das horas’’ revelou que o país está “diante de uma catástrofe de dimensões impensáveis’’ e que serão necessários “gigantescos esforços’’ para a recuperação dos danos. O país começou a receber ontem ajuda internacional e solicitou itens como pontes provisórias.

O aeroporto internacional de Santiago, fechado desde anteontem, autorizou excepcionalmente alguns pousos. Prevê-se para a manhã de hoje a divulgação da data em que o funcionamento será regularizado.

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Mais forte sismo já registrado

Santiago - Assolado anteontem pelo quinto maior terremoto desde pelo menos o século 20, o Chile ostenta ainda na sua história o maior abalo sísmico já registrado em todo o mundo. No dia 22 de maio de 1960, tremor de 9,5 graus na escala Richter matou 1.424 pessoas no país e devastou região próxima à que foi seriamente atingida desta vez.

Segundo registro do Centro de Pesquisa Geológica dos EUA, que mantém um histórico dos maiores terremotos do mundo, o apocalíptico choque sísmico devastou a cidade de Valdivia - 850 km ao sul da capital -, deixou 2 milhões de desabrigados e até 3 mil feridos.

O tremor provocou tsunamis que vitimaram 138 pessoas no Japão, onde chegou um dia depois, 61 no Havaí (EUA) -que registrou ondas de até 10,6 metros- e 32 nas Filipinas, além de causar danos materiais na Costa Oeste americana.

No Chile, grande parte das mortes decorreu também de ondas que chegaram a 11,5 metros na cidade de Puerto Saavedra, onde escombros de construções foram arrastados por 3 km continente adentro, e a oito metros na cidade de Corral.

Dois dias depois da tragédia, um vulcão nos Andes entrou em erupção, fenômeno atribuído à forte movimentação sísmica que precedeu e sucedeu o terremoto. Abalos secundários foram sentidos por todo o ano.

A dimensão da catástrofe contribuiu para que o Chile, um dos países com maior histórico de tremores do mundo, reforçasse as condições de segurança antissísmica, estabelecendo códigos estritos para construção civil e um sistema de socorro para eventos dessa natureza.