09 de julho de 2026
Nacional

Palavrões em livro escolar geram polêmica no MS

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Cuiabá - Um livro de memórias escrito por um adolescente e adotado por uma tradicional escola de Campo Grande (MS) para crianças de 10 anos vem gerando polêmica entre pais de alunos e educadores e se tornou tema de discursos acalorados na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

O motivo são palavrões (“porra”, “merda”, “caralho”, entre outros) e expressões tidas pelos críticos como “preconceituosas” e “inadequadas” presentes nas pouco mais de 200 páginas de “Dia 4”, escrito por Vithor Torres, 16, um aluno da Campanha Nacional das Escolas da Comunidade (CNEC) Oliva Enciso, mesma escola onde surgiu a polêmica.

Escrita em primeira pessoa, a obra relata impressões do autor ao longo de uma viagem de ônibus entre Campo Grande e São Paulo. Os trechos polêmicos, em geral, são comentários a respeito da roupa ou do comportamento de outros passageiros que seguiam viagem.

“(...) Até o mais idiota dos seres consegue reconhecer uma prostituta. No caso eram duas. Como sabia que elas eram putas? Muito simples. Uma “profissional do sexo” se veste apenas de duas formas: extravagantemente ou quase sem roupa”, diz um trecho do livro.

A publicitária Ângela Gouveia disse que se surpreendeu ao folhear o livro que a sobrinha de 10 anos iria usar na escola. “Não é falso moralismo nem hipocrisia ou puritanismo de minha parte. Só não vejo onde isso pode agregar valores às crianças em sua formação.”

O deputado Marquinhos Trad (PMDB) discutiu o tema no plenário da Assembleia Legislativa e defendeu que o caso seja levado como denúncia à comissão de educação da Congresso Nacional. Em entrevista, se disse “constrangido”. “Se não fizermos nada, o próximo livro de pré-alfabetização será o da Bruna Surfistinha.”

A escola emitiu nota na qual disse que o livro não será objeto de uma “leitura irresponsável, solta e descontextualizada”. “A linguagem do texto do autor flui naturalmente, e em alguns momentos o narrador extravasa toda a sua frustração ante os problemas pelos quais está passando”, diz a nota. “Daí registra-se, em determinados momentos, alguns xingamentos ou palavras vulgares colocados no texto.”

À reportagem, o autor disse que não “tinha noção” do impacto que seu livro teria. “Muita gente criticou sem ler. Preferiram destacar frases soltas e fora do contexto. Mas não me abalo. Quero continuar escrevendo.”