11 de julho de 2026
Internacional

Zapatero cobra a Venezuela por sua suposta relação com o ETA e as Farc


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Caracas - O governo espanhol pediu explicações ontem à Venezuela sobre uma suposta “cooperação”, revelada por uma investigação judicial, do governo Hugo Chávez com o grupo separatista basco ETA (Pátria Basca e Liberdade) e com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a principal guerrilha desse país. A atuação conjunta incluiria um plano para assassinar o presidente colombiano, Álvaro Uribe. Caracas negou as acusações.

O anúncio foi feito hoje pelo primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, durante visita à Alemanha. Segundo ele, a Chancelaria espanhola fez “gestões oportunas” com Caracas pedindo explicações. “Estamos à espera das explicações por parte da Venezuela e, em decorrência dessa explicação, o governo da Espanha atuará”, disse Zapatero, que afirmou “respeitar’’ a investigação judicial sobre o caso.

O processo está sob a responsabilidade do juiz Eloy Velasco, da Audiência Nacional, órgão máximo do Judiciário espanhol para casos de terrorismo. As acusações envolvem seis supostos membros do ETA e sete das Farc, que teriam pedido ajuda ao grupo separatista basco para matar tanto Uribe quanto o seu antecessor, Andrés Pastrana (1998-2002).

No processo, cujo conteúdo também foi revelado ontem, Velasco afirma que há evidências de “cooperação governamental na ilícita colaboração” entre ETA e Farc.

De acordo com a investigação espanhola, dois representantes das Farc foram em 2000 e mais recentemente à Espanha negociar os atentados contra Pastrana e Uribe. Um dos envolvidos seria o etarra Arturo Cubillas Fontán, 46 anos, que vive na Venezuela desde 1989, antes do governo Chávez. Cubillas, que tem um cargo diretivo no Ministério da Agricultura venezuelano, é apontado pela investigação espanhola como o ponto de contato entre o ETA e as Farc.

Em contrapartida à ajuda do ETA para matar os presidentes, a guerrilha forneceria treinamento militar aos separatistas na Colômbia.

Em nota publicada ontem à tarde, a Chancelaria venezuela disse que as acusações são “inaceitáveis“ e acusou a investigação espanhola de ter “motivação política”.

A nota lembra que a presença de Cubillas no país se deve a um acordo feito entre os então presidentes Carlos Andrés Pérez (Venezuela) e Felipe González (Espanha) e afirma que a investigação espanhola usou dados dos computadores do líder das Farc Raúl Reyes, morto por militares colombianos em 2008, considerados falsos por Caracas, mas ratificados pela Interpol (polícia internacional).