10 de julho de 2026
Regional

Tráfego intenso de caminhões aumenta riscos de acidentes na Bauru-Ipaussu

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 5 min

O tráfego intenso de caminhões na rodovia João Baptista Cabral Rennó (SP-225), a Bauru-Ipaussu, associado à atitude irresponsável de alguns motoristas aumentam os riscos de acidentes graves como o que matou duas pessoas na sexta-feira, próximo à ponte sobre o rio Batalha, na divisa com Piratininga. Na colisão perderam a vida dois funcionárias da concessionária da própria rodovia.

Levantamento divulgado pelo 2º Batalhão de Polícia Rodoviária mostra que, no ano passado, dos 57 acidentes registrados entre os quilômetros 235 e 247 da rodovia, 15 envolveram caminhões, ou seja, mais de um quarto do total. No trecho foram registrados um total 36 acidentes sem vítimas e 21 com vítimas, sendo 15 graves e uma morte.

Uma equipe do Jornal da Cidade percorreu a Bauru-Ipaussu e, em pouco tempo, flagrou diversas irregularidades envolvendo principalmente motoristas de caminhões.

Na ocasião, um caminhão carregado de madeira que seguia para Piratininga tentou ultrapassar uma carreta em trecho onde a manobra é proibida. Em uma delas, o motorista de um caminhão tenta ultrapassar um carro em trecho de subida, onde a manobra é proibida.

Em outra, um trator segue em baixa velocidade por uma das pistas em razão da falta de acostamento, o que acaba atrapalhando o trânsito e aumentando as chances de acidente. O trecho não tem acostamento pavimentado.

Longa jornadas

Na opinião do engenheiro de tráfego Archimedes Raia Junior, para evitar que os acidentes envolvendo veículos pesados ocorram, é necessário uma mudança de mentalidade dos motoristas e aumento da fiscalização, sobretudo sobre o transporte de cargas.

“Infelizmente, os caminhões aqui no Brasil ficam sujeitos a uma pressão muito forte devido as longas jornadas que eles têm que cumprir”, afirma. “Eles trafegam sempre com pressa excessiva, fazendo muitas vezes manobras inseguras e colocando em risco o próprio caminhão e as outras pessoas”.

O fato de alguns caminhoneiros ficarem acordados por até 30 horas para não atrasar a entrega das cargas, de acordo com ele, é um problema sério que precisa ser tratado com mais atenção por parte das autoridades. “Eles cumprem jornadas desumanas tomando rebites em cima de rebites para cumprir horário”, diz. “No Brasil, isso é tratado como assunto secundário mas é responsável por uma quantidade muito grande das mortes no trânsito”.

“As autoridades, não só do Denatran, como as ligadas ao Ministério do Trabalho e à Procuradoria do Trabalho precisariam tomar uma providência mais forte. Não é possível que pessoas, conduzindo uma máquina mortífera como é o caminhão, tenham que trabalhar 14, 16, 18 horas por dia”.

Fiscalização

A Polícia Rodoviária informou que, no cronograma de patrulhamento, existe previsão para o total de seis horas diárias de ação fiscalizadora preventiva, sendo que, durante os períodos de feriado, é dada atenção especial à rodovia Bauru-Ipaussu com o emprego de efetivo administrativo em escala extraordinária.

“Em tais ações, os policiais militares rodoviários fiscalizam, principalmente, as infrações de trânsito que representam maior risco aos usuários da rodovia, tais como ultrapassagem em lugar proibido, excesso de velocidade, não uso do cinto de segurança e direção sob efeito de álcool, além de outras que forem constatadas”, revela.

A Polícia Rodoviária ressalta que, em razão da existência de pista simples entre os quilômetros 235 e 298, (a duplicação está prevista para ser iniciada apenas em 2013), trafegar pela rodovia SP-225 demanda maior atenção e precaução por parte dos condutores.

“A ação fiscalizadora preventiva existe e é intensa, porém destaca-se que a segurança no trânsito depende primordialmente da conscientização da sociedade, que deve conduzir seus veículos com responsabilidade, respeitando as normas gerais de circulação e conduta previstas no código de trânsito brasileiro”, afirma.

O engenheiro de tráfego Archimedes Raia Junior compartilha da mesma opinião da Polícia Rodoviária e acredita que a redução nos índices de acidentes só irá ocorrer a partir da mudança de atitude dos motoristas. “Não dá para colocar uma fiscalização em cada lombada, em cada curva. É preciso ir na ferida, mexer com a consciência, mudar esse paradigma a que estão submetidos os motoristas de cargas”, analisa.

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Obras de melhoria: benefícios ou perigo?

Se, por um lado, as melhorias emergenciais feitas pela Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart) na rodovia João Baptista Cabral Rennó (SP-225), a Bauru-Ipaussu, melhoraram as condições de tráfego, por outro, permitiram que os motoristas passassem a abusar da velocidade permitida no trecho.

Segundo o engenheiro de tráfego Archimedes Raia Junior, uma breve análise das circunstâncias em que ocorrem os acidentes na rodovia demonstram que, na maioria deles, o desrespeito à sinalização prevalece. “A Bauru-Ipaussu é tradicionalmente uma via muito perigosa. Com o advento da nova concessionária, a qualidade da pista melhorou e os motoristas se sentem a vontade para desenvolver velocidade”, afirma.

Uma das soluções para que haja a diminuição do número de acidentes na estrada, na opinião do engenheiro, está no exercício, por parte dos condutores, de uma direção defensiva. “Você tem que dirigir sempre imaginando o que o outro pode fazer”, explica. “Quando você está chegando ao topo de uma lombada, tem que estar sempre atento imaginando que alguém possa estar fazendo uma ultrapassagem do outro lado da lombada”.

Quando o motorista passa a adotar essa postura no trânsito, segundo Raia Junior, seu estado de atenção também sofre alterações. “Se você confiar que os motoristas estão sempre fazendo o correto, vai correr um risco muito grande”, avalia.

“(O condutor) precisa ter um estado de atenção além do normal. A pessoa precisa ficar com o espírito pró-ativo, imaginando sempre que possa estar acontecendo algo”, alertou o especialista.