A viagem romântica de comemoração de 26 anos de casados de Eduardo e Vanilde Gebara nas vinícolas chilenas não foi tão perfeita quanto o casal bauruense planejava. Hospedados em um hotel em Santiago, eles vivenciaram os horrores do terremoto do último sábado. Um elevador cheio de água, vidros quebrando, marquises despencando, gritos e o refúgio no meio da rua são apenas algumas das cenas presenciadas pelos dois.
“Eram três e meia da manhã quando nós acordamos com tudo tremendo. Não era coisa fraca não, a gente chegava a tirar as costas do colchão. É inexplicável, a gente não comanda nada, não tem para onde ir. Dentro ou fora vai ter terremoto”, conta o empresário Eduardo Gebara.
O quarto do casal ficava no sétimo andar do hotel, e assim que conseguiram sair do local, avistaram um funcionário indicando para que os hóspedes usassem a escada. “O elevador estava cheio de água. A piscina, que ficava no último andar, rompeu com o tremor e a água saiu pelo buraco do elevador”, relata.
Já na rua, o casal procurou ficar junto com as outras pessoas bem no meio da via. “Lá, os prédios são todos envidraçados. É muito bonito, mas na hora do terremoto, começava a quebrar o vidro e a cair reboque da parede. A gente não podia andar pelas calçadas”, diz.
Às 8h30 de sábado, o empresário e a esposa conseguiram retornar ao quarto do hotel, mas pequenos tremores continuavam acontecendo periodicamente. Os outros três dias em que os bauruenses ainda permaneceram no país foram marcados pelo cenário de destruição. “Vi coisas destruídas, prédios. As auto estradas também ficaram destruídas, com grandes desníveis. Nada mais era gostoso, a gente só queria ir embora”, afirma.
O casal conseguiu um voo para o Brasil na última terça-feira e chegou a São Paulo ontem, às 2h30. “Caiu tudo no aeroporto, só sobrou a pista. Fizemos o check-in num barracão improvisado ao lado da pista. Quando o avião decolou, ele estava cheio de brasileiros, nós batemos palmas e agradecemos a Deus. Nada como a terra da gente”, desabafa.
Embora tenha considerado o Chile um lugar lindo, com pessoas gentis, Eduardo garante que prefere evitar novas visitas ao país em seu próximo roteiro de viagem.
As irmãs bauruenses Carolina, 20 anos, e Fernanda Aude Fantini, 19 anos, que embarcariam ontem para Santiago, capital do Chile, para um período de intercâmbio de estudos tiveram que adiar a viagem. A companhia aérea remarcou o voo para o próximo dia 9.
“Estamos em contato direto com as pessoas de lá (Santiago) e elas nos tranquilizaram sobre a situação da cidade. Tirando pequenos problemas, a situação está absolutamente normal. As pessoas estão indo trabalhar, o transporte foi restabelecido. Estamos bastante tranquilos em deixá-las viajar e elas estão animadas para ir”, conta Waldomiro Fantini Jr., pai das meninas.
A jovem Paula Della Barba, que estava na capital chilena fazendo um curso de idiomas, também teve contratempos. Ela tenta voltar do Chile para Bauru desde o dia do terremoto, 27 de fevereiro. Sua passagem estava marcada para o último sábado, mas devido a tragédia, teve que permanecer no país estrangeiro.
“Os voos da FAB (Força Aérea Brasileira) dão preferência para idosos, doentes e crianças. Agora que o aeroporto voltou a funcionar, ela tentou remarcar a passagem por outra companhia aérea, mas não deu certo. Eu tive que remarcar por aqui pela empresa que ela veio. Ela deve vir no domingo”, conta Marcia Della Barba, mãe de Paula.