08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O professor não é culpado


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Recentemente, órgão educacional da ONU publicou um ranking de avaliação sobre educação fundamental de países do mundo, obtendo o Brasil a 58ª colocação, tendo acima, por incrível que pareça, Cuba fato que não constitui surpresa para ninguém pois educação, saúde e esporte sempre foram referenciais àquele país, Chile, Argentina, Venezuela, Uruguai, Equador, Paraguai e Bolívia. Imediatamente abaixo do nosso país, vem o Suriname. Coincidentemente, os principais jornais do nosso Estado publicaram o elevado índice de professores reprovados no processo criado por lei e implantado pela Secretaria da Educação, de submissão e prestação a exames para obtenção de melhoria salarial. Política que visaria, remunerar gradativamente melhor o professor, a melhoria da qualidade do ensino. Política que considero injusta e ineficaz. Para os leitores menos informados, pode parecer ser esta é a chave milagrosa para melhorar a baixa qualidade do ensino em São Paulo e no país, quando na verdade a baixa remuneração do professor é apenas uma das múltiplas facetas da educação.

Verdadeiramente o professor que exerce o magistério, em todos os seus níveis, acumulando a dupla função de sacerdócio e mestre tem que ganhar bem para desempenhar com tranquilidade seu mister; o seu trabalho deveria ocorrer em apenas uma escola ou, no máximo em duas a fim de ser evitada a sua alucinada correria de uma escola para outra para ministrar aulas. Que a concessão de aumento não de dê apenas para partes do magistério em virtude de aprovação em exames mas para toda a classe, concedendo-se também algumas “migalhas” para os aposentados. Estes podem constituir fator positivo ou negativo àqueles que pensam em abraçar a carreira de professor no futuro. Melhoria salarial e reciclagem permanente, é este o meio para sua capacitação. Para esta faceta ou agente da educação, os governos não podem fazer economia ou subestimar. Porque educação requer, exige investimento; não se faz educação sem dinheiro, apenas na base de sacerdócio e utopia. Constitui consenso entre os mais expoentes pensadores da atualidade, economistas, sociólogos e filósofos e de que um povo é e será o que for a sua educação. O investimento mais rentável é o na educação; a diferença com outros é a de que os dividendos não são colhidos agora, mas no futuro, pelas futuras gerações, nossos descendentes. Urge acabar com escolas com paredes de latas, com classes sufocantes no verão e gélidas no inverno com a construção dos prédios necessários para se acabar com os turnos intermediários, comprovadamente ineficientes.

Suprir falta de laboratórios, falta de funcionários, falta de material pedagógico e digital, de bibliotecas. Que a recuperação dos alunos que encontrarem dificuldades não seja sazonal, em final de semestres mas imediata, no mesmo dia ou semana, em horário diverso e por outro professor. A avaliação do aluno tem que ser contínua, diuturna. E que o aluno só “passe para a frente” depois de que a dificuldade de qualquer disciplina seja vencida, resolvida, compreendida. A educação tem que ser paciente pois é demorada.

Ainda mais, sabendo-se que a integração escola família e comunidade é necessária à educação, torna-se imprescindível a existência do psicólogo e do assistente social na escola. Enfim, pode-se constatar que todos os caminhos para uma desejável educação exigem dinheiro. Muito dinheiro e vontade política. Isto posto, a culpa do fracasso de nossa educação não é do professor! Que não se culpe o professor!

Joaquim Eliseo Mendes - professor