10 de julho de 2026
Política

Receita cobra R$ 50 milhões da AHB

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A Associação Hospitalar de Bauru (AHB) ainda está longe de “andar com as próprias pernas”, apesar do equilíbrio registrado em balanço no final de 2009. Enquanto a fria contabilidade registrou superávit de R$ 4,4 milhões no fechamento do ano, o interventor Fábio Tadeo Teixeira confirmou, ontem, que a manutenção das obrigações mensais em dia depende de aporte de R$ 800 mil pelo governo do Estado, fora os convênios.

Neste momento, a principal engenharia do interventor é buscar acordos com fornecedores, para evitar que pendências judicais sufoquem mais a situação financeira. Teixeira contou, ainda, que a prioridade é acertar refinanciamento fiscal (Refis) com a Receita Federal, em 180 meses. O valor cobrado é de R$ 50 milhões, mas como há discussão sobre incidência inadequada de recolhimentos sobre entidade filantrópica, a AHB considera que este valor será reduzido. “A inadimplência com a Receita nos impede de obter CND e sem a certidão negativa não conseguimos restabelecer nossa condição de filantrópica com acesso a programas e convênios. Vamos fechar o Refis, o que vai exigir pagamento mensal de algo em torno de R$ 500 mil”, disse.

Do ponto de vista das dívidas globais, a AHB continua com R$ 20 milhões com fornecedores e R$ 10 milhões com bancos. Neste último valor estão os R$ 16 milhões emprestados no ano passado, que originaram parte das denúncias de eventuais desvios contra a direção anterior. “Nós estamos pagando os fornecedores em dia e tendo retornos positivos para voltar a equilibrar as contas, com fornecimento regular de materiais. Na área de bucomaxilo, foco de investigação, conseguimos ajustar as ações e as comprovações de serviços”, ampliou.

A AHB ressalta que o resultado operacional positivo alcançado em 2009 não inclui a amortização das dívidas contraídas na gestão anterior. “O superávit foi possível em razão do planejamento administrativo. A AHB passou a comprar bens e serviços a melhores preços e terceirizados recebem em dia o que foi faturado nesta nova gestão”, disse Tadeo.

As receitas com os serviços prestados ao SUS representaram 57% do faturamento AHB em 2009, embora cerca de 90% das operações estejam vinculadas a pacientes sem convênios. Os convênios Iamspe e Unimed compõem 7,5% e 2% da receita, respectivamente. Para 2009 estão previstos investimentos no parque tecnológico e na estrutura física dos hospitais de Base e da Maternidade Santa Isabel.

Mas, nas condições atuais de busca do equilíbrio, o interventor conta que não há espaço para investimentos próprios. “Na situação atual nós conseguimos manter serviços e pequenos reparos. Mas vamos ter de avançar para reformar setores e renovar equipamentos. A Maternidade Santa Isabel já está com investimentos sendo discutidos em fase final pelo Estado”, posicionou.

Mais números

A participação da Prefeitura de Bauru no financiamento de serviços de suporte ao Pronto-Socorro (PS) também serão discutidos. “A subvenção municipal é muito pequena e em 2009 ficou em R$ 330 mil. É desproporcional ao atendimento. Vamos até o prefeito discutir a questão”, citou o interventor.

A receita global da AHB em 2009 fechou em R$ 55,4 milhões, contra R$ 55,9 milhões no ano anterior. Mas as despesas caíram 16,22%, despencando de R$ 59,2 milhões em 2009 para R$ 50,9 milhões no último ano. Esta situação garantiu o superávit no balanço.

O ajuste em operações internas, inclusive contábeis, fez o ativo da associação despencar de R$ 79 milhões, em 2006, para R$ 36,7 milhões. A explicação é que a contribuição patronal, isenta, era apropriada no balanço, situação revista posteriomente. Um montante de R$ 33 milhões deixou, ao mesmo tempo, ativo e passivo, ajustando os números internos.

A AHB realizou 15.296 internações em 2009, uma queda de 13,70% em comparação com 2008 (17.391). O serviço pelo ambulatório SUS também caiu. Foi 12,15% menor, saindo de 101.270 para 90.300 no ano passado.