09 de julho de 2026
Nacional

Doméstica trabalha até 54 horas semanais

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - A jornada de trabalho das empregadas domésticas com carteira assinada no País atingiu até 54 horas semanais em 2009, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Apesar da jornada excessiva, o estudo indica que as condições de trabalho melhoraram. Em cinco das sete regiões monitoradas, a maioria das que atuam como mensalistas são registradas.

Segundo o Dieese, as jornadas mais extensas são cumpridas pelas domésticas do Nordeste. Em Recife, as mensalistas com carteira assinada trabalham em média 54 horas por semana. Na região, as que não são negras e não têm registro formal trabalham em média 59 horas por semana. Negras não formalizadas trabalham 57.

As menores cargas horárias foram registradas em São Paulo e em Porto Alegre, onde as empregadas domésticas cumprem em média 41 horas semanais.

Patrícia Costa, economista do Dieese, afirma que trabalhadoras que dormem no local de trabalho costumam ter jornada de trabalho mais extensa, mas que mesmo as demais cumprem longas jornadas. “Existe informalidade na relação com a família. Como é uma atividade que se exerce dentro de casa, é difícil estabelecer o limite.”

Costa destaca que cada vez menos trabalhadoras aceitam dormir no emprego. Entre as regiões pesquisadas, o Distrito Federal teve o maior percentual de domésticas dormindo no emprego, com 25%.

Segundo o Dieese, o serviço doméstico é a atividade que oferece a pior remuneração no País. A trabalhadora doméstica recebe, em média, em toda as regiões monitoradas, metade do valor pago às funcionárias do setor de serviços. O pior resultado foi registrado em Fortaleza, onde se pagou, em média, R$ 1,72 por hora de trabalho em 2009. Na capital do Ceará, a remuneração média para o setor de serviços é de R$ 5,36.

A economista do Dieese afirma que o mercado de trabalho se formalizou nos últimos anos, o que tem ajudado a melhorar as condições da profissão. Em cinco das sete regiões metropolitanas, a maioria das trabalhadores que atuavam como mensalistas tinha registro formal. A formalização da maior parte das trabalhadores não ocorre em Salvador e em Fortaleza.