Santiago - O Chile precisará de empréstimos internacionais e levará ao menos entre três e quatro anos para se recuperar do terremoto de 8,8 graus na escala Richter que atingiu o país no último sábado. O tremor matou ao menos 802 pessoas e devastou várias cidades.
“Sem dúvida, precisaremos de empréstimos estrangeiros”, disse a presidente chilena, Michelle Bachelet, ontem. “Pediremos crédito e esperamos que os fundos disponíveis por meio do Banco Mundial e outros mecanismos sejam suficientes”, afirmou.
Inicialmente, Bachelet afirmou que seu país seria capaz de arcar com os custos da reconstrução. No entanto, ela teria subestimado a proporção dos danos, estimados em cerca de US$ 30 bilhões (cerca de R$ 53 bilhões), ou 15% do PIB (produto interno bruto) do Chile.
O presidente eleito, Sebastian Piñera, que deve assumir o poder no próximo dia 11, anunciou um plano de quatro etapas para reconstruir o país, e assumiu que o terremoto deve alterar os rumos de seu governo.
Medo em Concepción
Atemorizada pelas constantes réplicas do devastador terremoto do último sábado e pela onda de vandalismo que ele disparou, a segunda maior metrópole chilena se habitua a uma rotina de cidade sitiada.
Em Concepción (212 mil habitantes), a população tem apenas seis horas para sair às ruas - das 18h ao meio-dia vigora o toque de recolher, cuja obediência é monitorada por um ostensivo contingente militar.Os homens do Exército e suas intimidadoras armas estão nos cruzamentos e na entrada dos poucos endereços comerciais que voltaram a abrir as portas, salvos dos episódios de saques e depredação que eclodiram no sábado passado.
Com os grandes supermercados destruídos, poucos mercadinhos de bairro são a única alternativa para comprar alimentos. Há escassos itens em estoque, e a venda está racionada. Nos postos de gasolina, a venda de combustível está restrita.