11 de julho de 2026
Política

Serra entrega viadutos, mas mantém o mistério sobre sua candidatura

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 4 min

O governador estadual José Serra (PSDB) inaugurou ontem os dois viadutos de 1,5 quilômetro de extensão na rodovia Castello Branco, em Itatinga (120 quilômetros de Bauru), obra que ficou parada por 40 anos. O tucano defendeu o programa de privatização das rodovias, mas se recusou a responder sobre sua pré-candidatura à Presidência da República. Em Avaré, onde participou de assinatura de contratos do programa da Vila Dignidade a idosos, num ato falho discursou como se estivesse em fim de gestão.

Na única resposta sobre o motivo de tanta resistência em anunciar se vai disputar a sucessão presidencial, Serra disse que “não há resistência nenhuma”. “É que nós estamos fazendo o trabalho de governador e eu não misturo com eleição. Seria um erro”, declarou o tucano.

O único pronunciamento em que se comentou sobre campanha em Itatinga veladamente foi o do deputado do federal Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), dizendo que Serra pode fazer muito mais pelo País. Após a inauguração, ele afirmou que o governador é candidato, mas tem evitado o anúncio para não misturar as inaugurações com campanha eleitoral, o que estaria acontecendo com a candidata do PT, Dilma Rousseff.

Serra admitiu que é “inevitável” que suas viagens para inaugurações sejam vistas pela “ótica eleitoral”, mas afirmou que não mistura eleições com o “trabalho de governador”.

“Na verdade, eu sempre fui para o Interior todas as semanas fazendo inaugurações”, disse. Ele havia sido questionado se temia haver confusão entre os eventos que realiza como governador e sua eventual candidatura. “A gente sempre faz (viagens) porque tem o dever de estar presente na comunidade, conversar com as pessoas e ver e sentir o Estado.”

Serra defendeu o programa de concessões das estradas, alvo de crítica devido aos pedágios. Segundo ele, pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) aponta que 10 melhores estradas são paulistas. “São Paulo é o Estado que possui as estradas mais seguras; a pesquisa da CNT mostrou que as 10 melhores estradas brasileiras são todas de São Paulo e 75% das estradas paulistas são consideradas boas ou ótimas”, ressaltou o governador.

A entrega dos dois viadutos ontem, no km 205 em Itatinga, para o governador é uma obra que contempla a segurança e salva vidas. A obra teve investimento de R$ 55 milhões viabilizado pelo Programa de Concessões Rodoviárias do governo do Estado.

O secretário dos Transportes, Mauro Arce, disse que com a obra a capacidade de tráfego será ampliada, o que proporciona maior segurança aos que acessam as regiões oeste do Estado, centro-oeste e sul do Brasil. Além disso, facilita o escoamento de produção e a integração econômica com o Mercosul. “Nós fizemos dois viadutos, readequamos um terceiro e fizemos todas as ligações entre eles, com R$ 55 milhões. Isso vai resolver de uma vez por todas a questão da segurança neste trecho da Castello Branco para conforto dos viajantes”, disse.

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Para deputado estadual, viaduto acaba com “defeito congênito”

O deputado estadual Milton Flávio (PSDB) afirmou que a rodovia Castello Branco tinha um “defeito congênito” desde quando foi inaugurada em 1967. A falta dos viadutos no trecho da serra de Botucatu.

A rodovia Castello Branco foi construídas em etapas. Foi a primeira estrada brasileira com faixas refletivas, duas pistas com três faixas de rolamento e canteiro central com até 30 metros de largura. Modelo que serviu de base para projetos de outas rodovias do Estado. Inicialmente chamava Auto-Estrada do Oeste com objetivo de abrir um novo caminho entre São Paulo e os Estados do Paraná e Mato Grosso, mas depois ganhou o nome de Castello Branco, primeiro presidente que assumiu o País após o golpe militar de 1964 e morreu em um acidente aéreo.

Inaugurada em etapas, entre 1968 e 1982, a rodovia não sofreu alteração no traçado após sua construção. Por 40 anos, no trecho da serra de Botucatu a rodovia se afunilava nos dois sentidos, para passar pela única ponte que saiu do papel. Afora isso, o local era de alta incidência de acidentes.

“Quem é da região já perdeu parentes nesse trecho da rodovia e sabe da importância desse viaduto”, declarou o deputado que é médico e lembrou dos tempos que fazia plantão no hospital de Botucatu.

A obra ficou inconclusa para transpor um abismo num trecho de serra, mas apenas o da pista Interior-Capital foi construído. O outro teve a construção na época em que Abreu Sodré era governador do Estado, mas deixou a obra do viaduto inconclusa, embora levou a Castelo de Osasco até Avaré, em 1971.

O governador Paulo Maluf estendeu a Castelo Branco até Espírito Santo do Turvo, mas sem executar a obra do viaduto. Em 2008, a SPVias iniciou a obra de duplicação deste trecho que foi entregue ontem.