09 de julho de 2026
Nacional

Mulato perde vaga na UFRGS para cotista

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Porto Alegre - Autor de um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o sistema de cotas, Giovane Pasqualito Fialho, 20 anos, considera-se injustiçado pelo suposto “assistencialismo” praticado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Em 2008, na segunda tentativa de ingressar na instituição, ficou na 132.ª posição no vestibular para administração (160 vagas), mas perdeu o lugar para um cotista de escola pública.

“O sistema de cotas foi uma imposição goela abaixo, a universidade não discutiu com a sociedade. É uma polícia assistencialista como tantas outras do governo, e essa despreza totalmente o mérito”, diz.

Na UFRGS, o critério adotado prevê 30% das vagas para estudantes egressos da escola pública - metade dessa cota é para alunos afrodescendentes. Em três vestibulares realizados dessa forma, 4.200 cotistas ingressaram na instituição.

Embora se declare mulato (o pai é negro), Fialho ficou fora por vir de escola particular.

Uma das críticas que ele faz às cotas é obrigar sua geração a “pagar a dívida histórica com a escravidão”, abolida no século 19. Antes de chegar ao STF, sua contestação à cota foi vitoriosa na primeira instância e derrotada na segunda (Tribunal Regional Federal da 4.ª Região).

Enquanto o caso corre na Justiça, Fialho cursa licenciatura em música em uma faculdade privada.

Entusiasta das cotas, o secretário de assistência estudantil da UFRGS, o sociólogo Edilson Nabarro, que é negro, afirmou que o sistema está mudando o perfil dos acadêmicos da instituição. “Embora os negros sejam 13% da população do RS, antes das cotas nem 1% conseguia entrar aqui. Há mais pobres também. Essa política possibilitou uma oportunidade para o andar de baixo”, declara.

Nabarro refuta que o sistema tenha sido imposto. Segundo ele, o debate que precedeu a criação da cota levou cinco anos e culminou com a aprovação do conselho superior da instituição. “Foram intelectuais brancos, que prezam o mérito, que decidiram”, diz.