09 de julho de 2026
Geral

Preocupação com a gripe A levou o PSC a distribuir máscaras

Por Ieda Rodrigues | Com Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Não há nenhuma pessoa com suspeita de gripe A H1N1, a gripe suína, em Bauru. Mas ontem pela manhã, a preocupação de que um paciente que procurou o Pronto-Socorro Central (PSC) estivesse com gripe A, levou funcionários da unidade de saúde a distribuir máscaras a várias pessoas que esperavam atendimento. Porém, assim que o doente foi examinado por um médico, a gripe A foi descartada. Neste caso, nem será necessário coletar material para exame laboratorial.

O médico infectologista Fernando Monti, secretário de Saúde de Bauru, explicou que as máscaras foram distribuídas inadvertidamente, sem que houvesse necessidade para a medida. “Não há nenhuma pessoa com suspeita da gripe A em Bauru e não há recomendação para adotar medidas de precaução, como o uso de máscara, atendimento de suspeitos em local separado de demais doentes, entre outras praticadas durante a epidemia do ano passado”, tranquilizou.

Por volta das 19h, com febre e tosse e aguardando desde as 16h a vez de ser consultado por um médico, Fabiano Matheus dos Santos, 14 anos, usava máscara. Ele relatou que logo após chegar ao PSC, passou pelo pré-atendimento, recebeu remédios para ajudar a controlar a febre e uma máscara. Como ele, no início da noite, pelo menos outras cinco pessoas que estavam no pronto-socorro usavam máscaras.

No Pronto-Atendimento Infantil (PAI) nenhuma das crianças que aguardavam atendimento usavam máscaras, mas muitas apresentavam sintomas de síndrome gripal, principalmente febre. O fato é que a gripe A voltou a fazer parte dos assuntos em discussão pela população no dia-a-dia por três fatores: um deles é a campanha nacional de vacinação, que começou ontem para os funcionários da área de saúde. Outro é que, há poucos dias, o Brasil registrou a primeira morte por gripe suína deste ano, de um morador de Santa Bárbara D’Oeste .

E o terceiro é a queda na temperatura durante as madrugadas, o que é normal considerando que o outono começa no próximo dia 20. A menor temperatura deste ano em Bauru foi de 16,2 graus, registrada na madrugada de domingo. No ano passado, durante a epidemia mundial de gripe A, Bauru registrou 128 casos da doença e oito mortes.

A segunda fase da vacinação contra a gripe suína, que começa em 22 de março e vai até 2 de abril, incluirá as gestantes, crianças a partir de 6 meses e menores de 2 anos de idade e os portadores de doenças crônicas, como obesidade de grau 3, asmáticos graves, diabetes, pessoas imunodeprimidas, cardiopatas e portadores de doenças respiratórias crônicas, dentre outros. As mulheres que engravidarem após 2 de abril poderão receber a vacina até o final da campanha, em 21 de maio.

Na terceira etapa da campanha, que ocorrerá entre os dias 5 e 23 de abril, será vacinada a população paulista de 20 a 29 anos de idade. E de 24 de abril a 7 de maio receberão a vacina contra a gripe A os idosos com 60 anos ou mais portadores de doenças crônicas.

Os demais idosos irão tomar a vacina contra a gripe comum (sazonal). E, finalmente, no período de 10 a 21 de maio, os adultos de 30 a 39 anos deverão ser vacinados contra a nova gripe.

Fernando Monti ressalta que a vacinação de parte da população funcionará como um cinturão de proteção. “Se 90 mil pessoas forem vacinadas em Bauru, são 90 mil que não terão a gripe A e, portanto, não vão transmitir a doença”, frisou ele referindo-se ao fato de que a vacinação reduzirá as chances da gripe A se alastrar, como ocorreu no ano passado.

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PS lota e pacientes reclamam de falta de médicos

O Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru esteve lotado durante todo o dia de ontem, como já é comum nas segundas-feira. No início da noite, quando o JC passou pela unidade de saúde, pacientes reclamavam que havia poucos médicos trabalhando, o que teria causado a espera ainda mais longa que a habitual. Havia paciente que estava há cinco horas esperando consulta médica, tendo sido atendido apenas pela enfermeira neste período.

Gabriela Hosty do Nascimento, 18 anos, reclamava de descaso por causa da demora no atendimento. Vanessa da Costa Guimaro, 30 anos, que aguardava atendimento por mais de três horas, afirmou que durante a tarde havia apenas dois médicos - um clínico geral e um ortopedista. Esse seria um dos principais fatores para a demora no atendimento, confirmou ao JC uma enfermeira que não quis se identificar. De acordo com ela, faltam médicos e funcionários. No Pronto-Atendimento Infantil (PAI) a espera por consulta também era longa.

Procurado pelo JC, o médico Fernando Monti, secretário de Saúde, afirmou que desconhecia que apenas dois médicos estavam atendendo no PSC. “A equipe é formada por quatro clínicos gerais, um ortopedista e um cirurgião. Pode ser que algum deles tenha faltado, mas acho muito difícil que tenha sido a maioria”, ressaltou.

Monti aproveitou para ressaltar que todos os casos de urgência e emergência são atendidos em, no máximo, 15 minutos. “O que ocorre é que cerca de 40% das pessoas que procuram o Pronto-Socorro Central não são casos de urgência e emergência. São pessoas que não conseguiram ser atendidas nas unidades básicas de saúde, um problema que vamos resolver com a criação das UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) que serão instaladas na cidade. Essas pessoas chegam, passam por triagem e, como não se enquadram em casos de urgência e emergência, são atendidas à medida da possibilidade dos médicos”, completou.