Após terem, em 2008, feito a greve mais longa da história da Polícia Civil do Estado de São Paulo, os delegados de polícia estão ameaçando parar outra vez se o projeto de reestruturação da categoria não for enviado e aprovado pela Assembleia Legislativa e sancionado pelo governo do Estado.
Na última segunda-feira, a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp) entregou o projeto de reestruturação da categoria ao secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto.
Durante assembleia geral extraordinária realizada nesta semana, que contou com a presença de mais de 400 delegados de polícia de São Paulo, a Adpesp aprovou o estado de mobilização e manteve a situação de assembleia permanente, manobra que possibilita à diretoria da entidade decretar greve a qualquer momento.
A presidente da associação, Marilda Pansonato Pinheiro, informou que o projeto de reestruturação da carreira dos delegados possui diversos pontos que visam modernizar a Polícia Civil. “Reivindicamos melhores condições de trabalho, que o governo cumpra o que prometeu e implante mudanças que vão possibiltar a prestação de serviços de melhor qualidade à população”, disse.
De acordo com o secretário geral da associação de delegados, Alan Bazalha Lopes, as reivindicações abrangidas no projeto de reestruturação são direcionadas a melhorar o ambiente de trabalho e proporcionar mais estímulo aos profissionais, como o item que prevê que um delegado não pode ser demitido ou removido arbitrariamente de seu cargo.
“Quando o delegado estiver investigando uma pessoa com certa relevância na sociedade, ele vai ficar na investigação até terminá-la, sem correr o risco de ser transferido. Dessa maneira, você conta com uma pessoa com o real conhecimento do fato para conduzir a investigação e chegar ao resultado”, cita Lopes.
O projeto prevê a evolução da carreira, que atualmente ocorre mediante prova de mérito e acaba gerando o inchaço das categorias inferiores, segundo o secretário geral da Adpesp. “As categorias passam a ser quatro e não mais cinco, sendo necessário cinco anos de exercício para evoluir à segunda categoria e 10 anos para passar às demais”, declara.
Além das reivindicações em nome dos delegados de polícia, Lopes afirma que o projeto possui transformações que visam agilizar o atendimento nas delegacias, como é o caso da extinção das categorias de agente policial, agente de telecomunicações policial, atendente de necrotério policial, auxiliar de papiloscopista policial, carcereiro, desenhista técnico-pericial, fotógrafo técnico-pericial e auxiliar de necropsia.
“No projeto de reestruturação, esses cargos passam a ser incluídos na categoria agente de polícia, dando uma nova dinâmica na realização de tarefas dentro da delegacia. Dessa maneira, as funções não ficam dependentes de uma única pessoa e podem ser realizadas com mais agilidade por contarem com maior efetivo”, garante o secretário da Adpesp.