08 de julho de 2026
Geral

Cidade mal cuidada:Terrenos e calçadas abandonadas interferem na qualidade de vida

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Calçadas obstruídas por buracos e galhos cortados, terrenos mal conservados, entulho e lixo acumulados e áreas verdes tomadas por mato alto. Entre os muitos problemas do município, o que pode parecer um detalhe é, na verdade, um grande incômodo na vida dos bauruenses por um motivo simples: deixa a cidade com aspecto de abandono e interfere na qualidade de vida das pessoas.

Cada vez mais desanimada com problemas crônicos que nunca têm solução, a população também tem sua parcela de responsabilidade na situação de penúria em que se encontra Bauru, já que os próprios moradores, muitas vezes, deixam de limpar suas calçadas e terrenos. A prefeitura, por sua vez, argumenta que a demanda tem sido maior do que a capacidade de atendimento do município. O resultado é o que qualquer bauruense pode ver em uma volta rápida pelas ruas de seu bairro.

Um caso emblemático é o do Parque Santa Edwirges. A partir da área verde que deveria abrigar uma praça, é possível visualizar pelo menos oito terrenos particulares sem a mínima manutenção e com várias marcas características de queimadas. As ruas, de terra, também estão em péssimo estado de conservação.

Morador do bairro há mais de 10 anos, Manoel Dever conta que, quase todos os dias, um foco de incêndio surge nas redondezas, trazendo fuligem e mau cheiro para as casas, além de risco para as crianças. “Muitos moradores já pediram alguma ação da prefeitura, mas o Santa Edwirges é um bairro esquecido. A gente paga imposto e nada acontece há anos e anos. Estamos desanimados”, comenta.

Enquanto o JC conversava com Dever, o sobrinho dele, Vilson Pegoraro Junior, 9 anos, tentava soltar pipa na área verde reservada para a construção de uma praça. Mas o espaço disponível para que ele corresse até o brinquedo ganhar altura se resumia a apenas uma trilha aberta pelos próprios moradores em meio ao matagal. “Eu queria que aqui fosse uma praça para poder brincar”, disse o garoto, olhando ora para o céu, ora para o chão, como medida de precaução para não tropeçar em algum galho ou entulho.

Em um passeio da equipe de reportagem por algumas das regiões apontadas como críticas, não foi difícil constatar condições não menos precárias que as do Parque Santa Edwirges. Uma situação corriqueira, mas bastante grave, é o depósito de galhos e folhas sobre as calçadas sem a devida coleta em curto prazo.

Na quadra 8 da rua Santos Dumont, na Vila Quaggio, um terreno baldio, embora capinado, serve de abrigo para um amontoado de pedaços de madeira e galhos secos que já obstruem parte da calçada há mais de duas semanas. O comerciante Ezequiel Castilho, que há 25 anos trabalha naquela rua, relata que, sistematicamente, são os vizinhos que depositam entulho no local, sem a mínima preocupação com a possibilidade de ocorrência de incêndios ou a proliferação de baratas, ratos e escorpiões.

“Mas o maior problema é quando eles vêm aqui e jogam animais mortos. Fica um cheiro insuportável. O pessoal joga à noite, quando ninguém está vendo e, quando amanhece, já está assim”, revela.

Em frente a uma casa da quadra 4 da rua Maurílio Luiz Vieira, na Vila Gonçalves, a situação de uma calçada não é muito diferente. O mato alto, cheio de carrapichos, tomou conta de praticamente toda a calçada e o pedestre tem de utilizar a rua para poder transitar pelo local.

Mas, desta vez, segundo uma vizinha que não quis se identificar, é a própria moradora que contribui para deixar o local ainda mais sujo. “Ela pega as fezes do cachorro dela, vem aqui fora e joga no meio do mato. Com esse sol, o cheiro fica muito forte e incomoda a gente”, confessa.

Assim como na rua Maurílio Luiz Vieira, as calçadas também estão mal conservadas em outros pontos, como a quadra 9 da rua Tomé de Souza, quadra 18 da rua Padre Anchieta, quadra 14 da rua Doze de Outubro, todas na Vila Seabra, e quadra 3 da rua Comendador Leite, na Vila Camargo. Já no Jardim Rosa Branca, na quadra 11 da avenida Pinheiro Machado, o problema é o canteiro central: cheio de lixo e entulho em torno de um dos postes de iluminação pública.

O cenário é resultado da ação de moradores pouco colaborativos que, associada à estrutura insuficiente do poder público para realizar todos os serviços, contribui muito para agravar o problema. Um exemplo da falta de educação da população, aliás, foi flagrado na tarde de ontem pela equipe de reportagem, na rua Primeiro de Maio, no Parque Boa Vista, quando o passageiro de um veículo em trânsito jogou uma latinha de cerveja pela janela. Retrato típico de uma mentalidade que precisa ser superada em prol da melhoria das condições da cidade e para o bem-estar de todos os seus moradores.