09 de julho de 2026
Bairros

Casos de dengue já são o dobro de 2009

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Após Bauru ter registrado, no decorrer de 2009, 23 casos de dengue, neste ano, com as dez novas confirmações recebidas pela Secretaria Municipal de Saúde ontem, já são 48. Ou seja, em dois meses e meio, o número de casos da doença registrado na cidade já é maior que o dobro do total dos 12 meses do ano passado. E o detalhe é que, nas últimas confirmações, a maioria dos casos tem sido autóctone, ou seja, contraídos na própria cidade.

Isso significa que há mosquito Aedes aegypti contaminado com a dengue circulando pela cidade. Se picar uma pessoa sadia, ela será contaminada com a doença. E, a partir daí, se esta pessoa com dengue for picada por um mosquito sadio, ele se contaminará, ampliando ainda mais a possibilidade de transmissão da moléstia.

A última grande epidemia de dengue em Bauru foi em 2007, com 2.131 pessoas infectadas. Em 2008 o número caiu para 146 casos. E em 2009 reduziu ainda mais, somando 23.

A dengue é uma doença infecciosa que se apresenta em duas formas. Uma é a clássica, que é predominante, cujos sintomas são febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores nas costas e manchas vermelhas pelo corpo. A gravidade dos sintomas, que duram em média sete dias, varia de pessoa para pessoa. A outra, mais grave, que pode levar à morte, é a hemorrágica.

No início desta forma da doença, os sintomas são iguais aos da dengue clássica. Mas após o quinto dia, alguns pacientes começam a apresentar sangramento em alguns órgãos e choque circulatório.

Dos dez casos confirmados ontem, seis são autóctones – os outros quatro são importados, situações em que os pacientes foram infectados em outras localidades.

Os infectados em Bauru são moradores do Centro, do Jardim Carolina, dos Altos da Cidade, da Vila Lemos, do Jardim Bela Vista e do Jardim Alto Alegre. Os casos importados são de uma moradora do Jardim Godoy, infectada em São Jose do Rio Preto, de um morador da Vila Santista, que contraiu a doença em Santos, de uma moradora do Jardim Marambá, importado do Guarujá, e um morador do Parque Vista Alegre, que adquiriu a doença em Lins.

Com isso, Bauru soma 48 casos de dengue, sendo 22 importados e 26 autóctones. O mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue, se procria em água parada. Períodos de calor e alta incidência de chuva, como foi o mês passado, são propícios para a reprodução do inseto. No Estado de São Paulo, Marília e Ribeirão Preto enfrentam epidemia da doença.

A Secretaria Municipal de Saúde tem realizado busca ativa nos bairros onde foram registrados casos de dengue, que visa localizar pessoas com sintomas e criadouros do mosquito, como vasos flor com água, pneus, garrafas e outros vasilhames em locais descobertos que acumulem a água da chuva, e feito nebulização para matar os insetos adultos – as larvas não morrem com o inseticida.

O Aedes pode se procriar nestes locais e até numa tampinha de garrafa pet com água. Como medida preventiva, no início do ano a Secretaria de Saúde anunciou que caso haja resistência dos moradores em liberar o acesso dos agentes de endemias aos imóveis para vistoria, os responsáveis estão sujeitos a multas que vão de R$ 250,00 a R$ 2.500,00, dependendo da gravidade do caso.

A determinação de multa, se for necessária, está mantida, segundo a Secretaria de Saúde. Mas a pasta esclarece que não tem como objetivo principal punir a população, e sim conscientizar a todos de que a colaboração de toda a comunidade é imprescindível para o controle da doença.