09 de julho de 2026
Internacional

Piñera toma posse em meio a terremoto

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Valparaíso - A posse do novo presidente do Chile, Sebastián Piñera, ontem, foi marcada por um terremoto de magnitude 6,9, ocorrido 20 minutos antes da transmissão da faixa presidencial e a ameaça de um tsunami na cidade em que ocorria a cerimônia, o balneário de Valparaíso, onde o Congresso chileno tem sua sede. O abalo foi um dos mais fortes tremores secundários que sacodem o Chile desde o devastador terremoto de magnitude 8,8 do último dia 27, que deixou cerca de 500 mortos e causou profunda destruição.

A terra tremeu em Valparaíso enquanto chegavam ao Congresso os últimos convidados para a solenidade e a presidente Michelle Bachelet, que deixa o cargo, aproximava-se do local, desfilando em carro aberto.

A solenidade foi mantida, sob evidente clima de tensão e pressa. O terremoto do dia 27 de fevereiro causou danos ao prédio do Congresso. Enquanto Piñera, seus ministros e presidentes da região estavam no plenário, foi dado alerta oficial da probabilidade de tsunami.

Com a ordem de evacuar a população para as regiões mais altas da cidade, a polícia ajudou os idosos e enfermos com dificuldades de locomoção. Os demais correram a pé ou em carros para os morros. Houve engarrafamento, buzinaço e episódios de pânico e histeria.

Impedidos de deixar o prédio, os funcionários do Congresso se deslocaram para o alto do edifício para se proteger.

Recebida a faixa presidencial, Piñera retornou ao Palácio Presidencial de Cerro Castillo, na vizinha Viña del Mar, onde abreviou o almoço que ofereceria aos chefes de Estado.

Nos jardins do palácio, Piñera anunciou sua primeira medida no poder - decretou estado de “exceção constitucional por catástrofe” na região do epicentro do terremoto ocorrido poucas horas antes.

“A natureza nos está machucando com muita força. Nada nos foi dado facilmente. Tudo foi conquistado com esforço. Peço aos meus compatriotas que enfrentem isso com muita força. A manutenção da ordem pública e dos serviços básicos será prioridade absoluta deste governo”, disse Piñera, primeiro político de centro-direita a governar o país desde a redemocratização, em 1990.

O ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, deixou ainda mais clara a intenção de marcar a diferença com a gestão de Bachelet, cujo desempenho na administração da catástrofe Piñera criticou. Hinzpeter disse que o estado de exceção era uma medida preventiva “para evitar saques e distúrbios como os ocorridos após o terremoto de 27 de fevereiro”.

Piñera voou de helicóptero até a cidade de Rancagua, epicentro do novo terremoto, e de lá para Constitución, no sul do país, onde foi registrado o maior número de mortos pelo terremoto seguido de tsunami do último dia 27.

Em discurso à população, referiu-se ao almoço abreviado com os chefes de Estado visitantes. “Tive de deixá-los sentados à mesa com minha mulher, porque senti que meu dever era estar aqui”. Relatou ter feito uma “sentida homenagem aos que aqui perderam suas vidas”, afirmando que depositou uma flor para cada vítima “às margens do rio (Maule); desse rio onde entrou o mar”.

Em Constitución, Piñera assinou projeto de lei para conceder um bônus governamental aos que tiveram perdas materiais com o terremoto. De lá, retornou a Santiago, onde previa fazer um discurso no Palácio de la Moneda.

Pela manhã de ontem, Bachelet quebrou o protocolo das posses presidenciais chilenas, discursando das escadarias do palácio para uma multidão que a aplaudia entusiasticamente. “Esta Moneda nunca mais será a casa dos presidentes, mas a casa dos presidentes e das presidentes do Chile”, disse.