Lobo mau, fantasmas, bruxas, escuridão, ficar doente, morrer, monstros, bichos, atravessar a rua... Qual é o seu medo? Todo mundo teme algo, isto faz parte do ser humano e, sobretudo, da infância, período em que o medo tende a ser mais evidente porque a imaginação faz com que tudo pareça real ou maior.
Wilson Roberto Fabra Siqueira é psiquiatra da infância e adolescência. Ele diz que existem dois tipos de medos. O primeiro é aquele cuja ameça é real, ou seja, você pode ver. “Ter medo de cachorro bravo, cobras, pessoas desconhecidas, atravessar a rua, entre outras coisas reais do cotidiano, faz parte desse medo real. Já ter medo de fantasmas, de sair de casa ou de monstros faz parte do medo fantasioso”, explica.
Também faz parte do medo fantasioso “pegar” o medo de outras pessoas para você. O medo de baratas, por exemplo, pode ser passado de mãe para os filhos. “Apesar de existir, a barata não vai machucar a criança. Ela fantasia que isso pode acontecer porque vê o pavor de outras pessoas”, completa o médico.
Mas por que o medo existe? Normalmente, isso acontece com mais frequência em crianças que possuem preocupação exagerada com as coisas, as chamadas crianças ansiosas, enquanto as mais calmas têm menos medo.
De acordo com Wilson, a criança ansiosa pensa que quando os pais saem, por exemplo, não vão voltar mais ou que algo ruim vai acontecer com eles, por isso tem medo.
Porém, apesar de causar choro e susto, o medo tem o seu lado bom, sabia? Esse sentimento comum em todas as crianças em alguma etapa de suas vidas pode proteger você. Sabe como? Ele tem o poder de impedir que você se machuque em determinadas ocasiões. Se uma criança não souber nadar e não tiver medo de água, ela pode se jogar em uma piscina e se afogar. Agora, com o medo de água, ela não entra sozinha porque sabe que isso não será bom.
O mesmo acontece com o trânsito. Já pensou se você não tiver medo de ser atropelado e decide atravessar uma rua movimentada sozinho e sem olhar para os lados? O medo não deixa você fazer isso, assim, ele te protege.
Normalmente o medo fantasioso passa com os anos e tende a deixar de existir no início da adolescência. Já se você sentir muito medo de alguma coisa a ponto de não conseguir superar ou parar de pensar sobre isso, o bacana é falar para seus pais e decidirem juntos o que fazer para dar um pontapé nesse medo que não faz bem.
• Medo de monstros e lobo mau
São figuras amedrontadoras que existem na imaginação infantil. Por saberem que são frágeis e que ainda não podem se proteger sozinhas, as crianças sentem medo desses seres mostrados como grandes, malvados e fortes.
• Medo de ficar doente e de morrer
Esses medos existem tanto na infância quanto na fase adulta. A morte simboliza separação e o “ir embora”. Ficar longe dos pais e da família causa angústia.
• Medo do escuro e de ficar sozinho
Ficar sozinho e/ou no escuro pode “soltar” os monstros da imaginação. A criança fica insegura quando sozinha porque acredita que, sem a presença de um adulto, está desprotegida e, como no escuro não pode ver o ambiente, cria fantasias de que monstros e bichos aparecerão e que o escuro é perigoso. Isso também pode acontecer depois de se ver filmes de terror ou cenas violentas.