A Prefeitura de Bauru tem dificuldades em coibir e remediar a degradação do patrimônio público. O fato, admitido pelos secretários municipais e pelo próprio prefeito, Rodrigo Agostinho, é denotado, entre diversas justificativas, pela falta de funcionários, necessidade de trâmites burocráticos que equilibrem as engrenagens da máquina pública no sentido de ganhar tempo e ferrugem estrutural acumulada durante os anos.
Contudo, salienta o prefeito em conversa com o Jornal da Cidade na última sexta-feira à tarde, um dos principais adversários da municipalidade no combate à degradação das áreas públicas, como praças, parques e bosques, é a incapacidade de conter a ação de vândalos, em contingente superior ao de equipes que poderiam flagrá-los e puni-los. “O caso é até mesmo mais de segurança pública”, condena o prefeito. “Mesmo com vigilantes, a depredação acaba sendo inevitável”, lamenta.
Na tentativa de minimizar o problema, o prefeito anuncia que a cidade irá dispor, em breve, de sistema de videomonitoramento. “Planejamos para este ano a instalação de câmeras, tanto na área central quanto no Vitória Régia. É algo que inibe a ação de vândalos, mas também não evita totalmente”, reconhece. “Não tenho condições de deixar vigias em todos os lugares. O Vitória Régia, por exemplo, é amplo e aberto. É mais complicado”, argumenta.
Sobre o mato em ruas e praças, o prefeito atribui a falta de poda às constantes chuvas observadas na cidade durante os dois primeiros meses do ano. “Foi um período de chuvas intensas, quando o mato cresce mais rápido. Houve atraso no serviço porque, com as chuvas constantes, também é impossível o funcionário trabalhar”, justifica Agostinho, que apesar das dificuldades admitidas, anuncia melhorias em bosques e no próprio Vitória Régia, que terá calçadas ampliadas e banheiros reformados, bem como concursos para aumento no quadro do funcionalismo.
Maior também, destaca o prefeito, foi o número de fiscais para autuação de proprietários de terrenos baldios sem a limpeza correta. Contudo, Agostinho lamenta que as multas em caso de infrações tiveram valor reduzido. “Propomos a multa com valor maior. No entanto, a Câmara optou por reduzir”, atribui o chefe do Executivo, condenando também proprietários que, ao invés de limparem devidamente os terrenos, procuram a forma mais fácil e poluidora, o fogo. “Tem gente que abusa, ainda mais em período de seca”, reprova.
Um exemplo de desleixo, desta vez não por parte do Poder Público, mas por parte da população, foi observadoanteontem, nos Altos da Cidade, com um sofá abandonado em calçada na rua Saint Martin. “Muito se fala disso em áreas de periferia, só que essa cena é de uma área nobre”, opina Ricardo Oliveira, titular da Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear).