De todas as pessoas que se hospedam em Bauru, cerca de 80% vêm a negócio. Mas não somente para fechar um negócio. Elas vêm também para visitar clientes, participar de eventos, como congressos, palestras, exposições, lançamentos de produtos e muitos outros compromissos. Por ser a maior cidade da região, essa é uma vocação natural de Bauru, mas que não tem sido muito bem aproveitada. Falta estrutura para receber mais eventos e, consequentemente, mais turistas. Com isso, a cidade está perdendo dinheiro (leia mais na página 13).
De acordo com um estudo feito em 2002 pela professora, com mestrado em turismo, Tânia Maria Graziadei, quase 80% dos turistas que vêm à cidade a negócios ficam hospedados dois dias ou mais. E uma grande parte não gasta apenas com o hotel. Os visitantes saem para jantar fora, ir às choperias, ao cinema, fazer compras. Enfim, eles ajudam a aquecer a economia local e a cidade, como um todo, lucra com isso.
Apesar de terem se passado oito anos, de lá para cá o quadro não mudou muito, informa Michele Obeid, presidente do Bauru Convention & Visitors Bureau. Embora não haja levantamento de quanto esses turistas gastam em Bauru, o consenso é de que esse valor poderia ser bem maior. Isso porque, de acordo com os profissionais da área ouvidos pelo Jornal da Cidade, a estrutura para receber esses visitantes ainda é precária.
Entre as falhas encontram-se a falta de acomodações de alto padrão, poucas opções para quem quer jantar e conforto e atendimento adequados a muitos restaurantes. Mas, principalmente, falta informação para quem vem de fora e não conhece nada da cidade.
Recentemente, o município ganhou um posto de informação para turistas. Mas, na avaliação de Michele, isso ainda é muito tímido perto do que a cidade merece. Instalado dentro do Poupatempo, o posto não funciona à noite nem de fim de semana e está desativado enquanto o prédio passa por reformas.
Para Michele, o ideal é instalar o posto de informações em um local de grande fluxo de turistas, como a Estação Rodoviária ou o shopping, e colocá-lo em funcionamento durante as 24 horas do dia. Isso facilitaria o acesso dos turistas às informações.
Além de um posto mais adequado, a cidade carece de um guia com orientações sobre hotéis, restaurantes, lanchonetes, pizzarias, choperias, cafés, opções de lazer e outras dicas fundamentais para que os visitantes possam se programar, como aponta pesquisa de iniciação científica realizada por estudante da Universidade Paulista (Unip).
O vice-diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)/Regional Bauru, Jair Manfrinato, também afirma que a cidade tem de melhorar em alguns aspectos se quiser ampliar a vocação para o turismo de negócio. O visual da cidade, na opinião dele, é um item importante, que não pode ser esquecido.
Oferecer mais opções de lazer, como teatro e visita a pontos históricos, é outro detalhe que merece atenção. Além disso, Manfrinato avalia que falta oferta de produtos que “vendem a cidade”, ou seja, de algo que faça referência a Bauru - uma espécie de lembrancinha que os turistas levam da cidade.
Outra sugestão é divulgar melhor os eventos que são realizados em Bauru, não só para os moradores da cidade e da região, como de todo o Estado. Mas isso já faz parte do projeto do Circuito Turístico Caminhos do Centro-Oeste Paulista, desenvolvido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Regional (Coder) em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP).