Um centro de convenções. É disto que Bauru precisa para ampliar seu poder de atração em relação aos turistas de negócios. Atualmente, a cidade não conta com um local apropriado para congressos, seminários, conferências, exposições e outros eventos capazes de atrair mais de 1.000 pessoas.
Os salões que existem no município não têm uma estrutura adequada para esses acontecimentos nem espaço suficiente para acomodar tanta gente. A avaliação é dos representantes comercial e industrial da cidade, dois setores diretamente interessados e influenciados pelo turismo de negócio.
Benedito Luiz da Silva, diretor da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), diz que muitos eventos de grande porte deixam de vir para cá por causa da falta de estrutura da cidade. Segundo ele, ao contrário dos salões que atualmente são utilizados, um centro de convenções oferece suporte para grandes eventos, como por exemplo, salas anexas menores para discussões de temas em separado.
O vice-diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)/Regional Bauru, Jair Manfrinato, lembra que cidades menores estão se organizando e já têm locais apropriados para grandes eventos, como a Movinter - Feira de Móveis do Estado de São Paulo, em Mirassol.
Na edição deste ano, a feira de Mirassol teve 140 expositores e atraiu mais de 36 mil visitantes, entre eles empresários de todos os Estados brasileiros e de oito países, como Estados Unidos, China, Alemanha e Portugal, que fecharam negócios durante a visita.
Na opinião de Manfrinato, os empresários bauruenses e o Poder Público ainda não se atentaram para a importância de se criar essa cultura de eventos comerciais e industriais na cidade. “Isso é ruim porque esses eventos ajudam a divulgar o que se produz em Bauru. A maioria da população não sabe o que se faz aqui”, comenta.
Para o vice-diretor do Ciesp, “Deus foi generoso com Bauru” porque colocou a cidade em um local estratégico (no centro do Estado), o que facilita o deslocamento de visitantes de todas as regiões.
O diretor da Acib aponta outras vantagens. Segundo ele, Bauru tem um potencial logístico muito favorável, com rodovias duplicadas que vêm de todos os cantos. A situação vai ficar ainda melhor quando a rodovia João Baptista Cabral Rennó (Bauru-Ipaussu) for duplicada. Isso porque criará uma nova ‘avenida’ entre Bauru e a rodovia Castelo Branco, um dos principais acessos à Capital.
A duplicação dos 63,7 quilômetros da Bauru-Ipaussu (SP-225) foi incluída no pacote de concessão do trecho à Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart). A previsão é de que a obra seja entregue em cinco anos. No entanto, a cobrança de pedágio já começou.
Benedito Luiz lembra que, além de Bauru ser um importante pólo produtor de baterias, papelaria, alimentos e outros produtos, está cercada de municípios que também têm suas vocações específicas, como Jaú (calçados), Pederneiras (hidrovia), Lins (alimentos), Lençóis Paulista (indústria) e outros. Por ser a maior cidade da região, Bauru poderia aproveitar melhor disso se tivesse o centro de convenções e estrutura para receber um grande número de visitantes. A cidade poderia sediar os eventos.
Na opinião dele, a partir do momento que a cidade tiver seu centro de convenções, todos os outros setores (hoteleiro, gastronômico, informações, etc) terão, necessariamente, de se adequar às novas exigências e toda a cidade vai ganhar com isso.