Cidade do Vaticano - O Vaticano cerrou fileiras em torno do papa Bento XVI ontem, desdenhando insinuações de que ele teria tentado acobertar o abuso de crianças por parte de padres na Alemanha.
“Está muito claro que nos últimos dias houve quem procurasse elementos para envolver pessoalmente Vossa Santidade na questão dos abusos”, disse o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, à rádio do Vaticano. “Para qualquer observador objetivo, está claro que essas tentativas falharam.”
A ex-diocese do papa na Bavária disse na sexta-feira que ele esteve envolvido em uma decisão de 1980 de transferir um padre suspeito de abusos a crianças. O pontífice - então Joseph Ratzinger - concordou que o padre fizesse terapia na reitoria de uma diocese em Munique e Freising, onde foi arcebispo de 1977 a 1981.
Mas ao invés de enviar o padre para terapia, o então vicário-geral da diocese Gerhard Gruber o indicou para uma paróquia em Munique sem restrições. Gruber assumiu total responsabilidade pela decisão, informou a diocese.
O Vaticano defendeu o pontífice enfaticamente ontem, quando os comentários de Lombardi foram seguidos de uma entrevista do promotor oficial da Santa Sé, ou “promotor de justiça.” O monsenhor Charles. J. Scicluna disse ao jornal dos bispos italianos Avvenire que as acusações de que o papa ajudou a encobrir abusos são “falsas e caluniosas”.