09 de julho de 2026
Bairros

Conhecer espécies evita problemas com arborização

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Saber que uma figueira jamais deve ser plantada em frente a uma residência é uma informação indispensável para quem está prestes a adotar uma árvore. Isso porque seu crescimento ocorre de forma enérgica e suas raízes têm forças suficientes para destruir as paredes de uma casa.

Assim como a figueira, existem outras espécies indesejadas para arborização urbana, portanto, antes de plantar uma árvore recomenda-se obter o maior número de informações possíveis a respeito da espécie e seu comportamento, evitando surpresas desagradáveis no futuro.

As mudas nativas, por exemplo, lideram o ranking das mais indicadas pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) de Bauru. Além de preservar a flora local, são espécies já adaptadas à região e sofrem menos com o ataque de pragas.

“Aos poucos a Semma está realizando a substituição de árvores estrangeiras por mudas nativas. Mas, ainda assim, as espécies típicas da região são minoria. Isso é um problema porque as espécies chamadas de invasoras já estão na cidade há muito tempo. Elas atingiram uma altura muito grande e incomodam as pessoas”, explica Valcirlei Gonçalves da Silva, secretário municipal do meio ambiente de Bauru.

Outra dica é preservar exemplares já existentes e enquadrá-los no planejamento paisagístico do local. “Tão bom quanto plantar uma árvore é preservar uma já existente. Se a pessoa vai construir uma casa em um terreno, por exemplo, e tem a alternativa de manter um exemplar já crescido, é muito melhor. Isto porque ele estará menos susceptível às pragas e plenamente adaptado ao lugar”, indica o professor Osmar Cavassan, da Universidade Estadual Paulista (Unesp de Bauru.

Além disso, outros fatores devem ser levados em consideração antes de optar por uma espécie de árvore para ser plantada em frente à uma residência, dentre eles a altura que a muda pode atingir.

“Apenas espécies de pequeno porte podem ser plantadas debaixo de redes de iluminação ou em calçadas estreitas, como a quaresmeira e a pata-de-vaca, por exemplo. Do lado oposto da fiação podem ser plantadas mudas de médio porte. Outro cuidado que deve ser tomado é com relação à distância entre a planta e os postes, que deve ter no mínimo quatro metros”, orienta Cavassan.

Um bom planejamento arbóreo pode ser sinônimo de redução de solicitações de podas e substituições de árvores na cidade. Menos problemas, menos reclamações, menos agressões ao meio ambiente.

____________________

Poda habilitada

Para quem quer aproveitar o período de queda das folhas para efetuar a poda das árvores, sem correr o risco de cometer um crime ambiental, é necessário atenção. Somente podadores credenciados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) estão autorizados e habilitados para fazer o serviço. Isso porque, anualmente, o órgão oferece aos interessados um curso sobre como realizar o procedimento de forma correta.

“A Semma realiza podas, mas também deixa a pessoa livre caso queira contratar um profissional externo sem prévia autorização. Nós apenas pedimos que os munícipes tenham consciência e optem por um podador que tenha o curso específico. Esse profissional estará qualificado para realizar os procedimentos que vão desde a limpeza da copa da árvore até a aplicação de uma solução para inibir a contaminação da planta”, orienta Alessandra Pinezi, diretora do Departamento de Zôo-Botânica da Semma.

No caso de galhos muito próximos à fiação elétrica, a solicitação também pode ser feita à Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Já a troca das espécies só pode ser realizada pela Semma.

Nesse caso, a solicitação deve ser feita ao órgão e, na sequência, um técnico é enviado para analisar as condições da árvore em questão. Se for concluído que a planta pode causar danos ao imóvel, apresentar risco de queda ou estiver em más condições de saúde, a supressão é autorizada.

____________________

• Pata-de-vaca

Nome científico: Bauhinia forficata

Altura: 5 a 9 metros

Diâmetro: 30 a 40 centímetros

Floração: Outubro a janeiro

Frutificação: Julho a agosto

Características: Produz flores brancas, róseas, roxo-pálidas e avermelhadas. A árvore não produz muita sombra, além disso, em condições de muito frio, costuma perder suas folhas. Geralmente são mais largas do que altas e são indicadas para plantio em jardins, calçadas estreitas e com fiação elétrica.

____________________

• Angico-do-cerrado

Nome científico: Anadenanthera falcata

Altura: 8 a 16 metros

Diâmetro: 30 a 50 centímetros

Floração: Setembro a outubro

Frutificação: Agosto a setembro

Características: Sua madeira é pesada e compacta, de grande durabilidade sob condições naturais. Planta característica de cerrado, ocorrendo geralmente em alta densidade populacional. Em Bauru existem muitos exemplares em terrenos baldios da zona urbana, que são remanescentes da cobertura vegetal original.

____________________

• Sucupira-preta

Nome científico: Bowdichia virgilioides

Altura: 8 a 16 metros

Diâmetro: 30 a 50 centímetros

Floração: Julho a setembro

Frutificação: Outubro a dezembro

Características: Árvore rústica e nativa do cerrado, que está em extinção. Possui caule cascudo, tortuoso e com coloração cinza ou castanho. Suas flores são roxas ou lilases. Os frutos são secos e achatados e possuem sementes de cor bege. É uma árvore recomendada para projetos de arborização urbana.

____________________

• Ipê-amarelo-do-cerrado

Nome científico: Tabebuia aureas

Altura: Até 5 metros

Diâmetro: 40 a 50 centímetros

Floração: Agosto a setembro

Frutificação: Setembro a outubro

Características: Uma das árvores mais bonitas em paisagismo urbano pela sua bela e exuberante floração amarelo ouro. Perde totalmente as folhas no período de floração. Pode ser cultivada nas ruas e parques e também em jardins empresariais, para condomínios e residências, com grande sucesso ornamental.