Paris - Com uma baixa taxa de participação - 39,2%, segundo o Ministério do Interior -, o primeiro turno das eleições regionais na França impôs ontem um grande revés ao partido União por um Movimento Popular (UMP), de direita, do presidente Nicolas Sarkozy.
Segundo as estimativas parciais divulgadas às 20h (16h em Brasília), na média nacional, o Partido Socialista, principal nome da oposição, obteve 30% contra 26,7% do UMP. Reunidos, os principais partidos de esquerda somaram 50,5%.
Isso significa que, no segundo turno, no próximo domingo, o Partido Socialista terá uma grande margem de manobra para costurar alianças para a esquerda. A Frente Nacional, de extrema direita, obteve 12%. O Modem, partido criado pelo ex-candidato presidencial François Bayrou, ficou com modestos 4%.
Segundo analistas, o UMP foi prejudicado pela fraca participação nas urnas. A taxa de abstenção de ontem foi a mais alta desde a criação das eleições regionais, em 1986. Em Paris, só 32% dos eleitores votaram.
Para Brice Teinturier, diretor da unidade de Estratégias de Opinião do instituto de sondagens TNS Sofres, a alta abstenção traduz “um desencanto dos franceses em relação às políticas (dos partidos)’’ e uma perda de interesse na campanha. Na maior parte das regiões, os candidatos concentraram o discursos em temas nacionais, deixando de lado assuntos regionais, como a questão dos transportes.
Para o UMP, o desafio será o de angariar mais eleitores no segundo turno para fazer frente à provável aliança da esquerda. Desde 2004, a direita detém a Córsega e a Alsácia, apenas duas das 26 regiões francesas. Para o PS, está em jogo uma aliança com partido Europe-Ecologie.
A eleições regionais na França são disputadas em dois turnos, caso não haja maioria no primeiro turno. Os partidos que conseguem mais de 10% dos votos podem participar no segundo turno.