11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Após incorporar Nossa Caixa, BB quer focar ações regionais

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

O Banco do Brasil (BB) resolveu voltar suas atenções para o Estado mais rico e populoso do País. A aquisição da Nossa Caixa, no ano passado, tem sido apontada como decisiva para essa mudança de postura da instituição financeira. Além de aumentar sua presença no Estado, por meio de agências e serviços especializados, o BB pretende investir pesado em projetos de infra-estrutura, focando o desenvolvimento regional sustentável.

Para tanto, o banco quer estreitar seu relacionamento com os governos locais. A avaliação é feita por Antônio Maurício Maurano, superintendente estadual do BB na região de Bauru – a superintendência regional de Bauru engloba mais de 350 municípios dos 645 do Estado. Órgãos como o existente em Bauru costumam ser instalados exclusivamente nas capitais, para gerenciar as atividades do banco em nível estadual. Para fortalecer sua atuação em São Paulo, porém, o BB preferiu atacar logo com cinco superintendências em São Paulo.

Só na Capital são duas, sendo uma específica para tratar de assuntos envolvendo o governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo e outra voltada para negócios do setor de varejo. No Interior, além de Bauru, foram instaladas superintendências de varejo e governo em Campinas (abrange também o Vale do Paraíba e o Litoral) e em Ribeirão Preto (engloba as regiões de São Carlos e de São José do Rio Preto).

Maurano explica que Bauru foi escolhida para sediar a maior superintendência estadual do BB (pelo menos em termos de área abrangida e quantidade de municípios) devido ao seu enorme potencial logístico. “É uma cidade muito bem localizada e conta com uma infraestrutura comparável à dos grandes centros urbanos”, afirma.

Outro aspecto que pesou na escolha de Bauru para sede da superintendência foi fato de a cidade contar com uma estrutura já pronta, capaz de acolher os mais de 100 funcionários que atuarão no órgão. De acordo com Maurano, a atuação do BB na região deverá contar com alguns pilares. Além de apoiar projetos de infraestrutura, o banco tentará melhorar o atendimento aos clientes, investindo em tecnologia e pessoal.

A instituição diz ainda que pretende fomentar o agronegócio, com atenção especial à agricultura familiar; incentivar o consumo, com a ampliação do crédito à população; e apoiar o desenvolvimento regional sustentável, por meio de parcerias com as populações carentes, visando conciliar geração de renda e proteção ao meio ambiente.

De acordo com Maurano, os projetos deverão atender todos os municípios abrangidos pela superintendência, inclusive os menores e mais pobres. “Em todos os lugares podemos encontrar boas oportunidades de negócios e pessoas precisando de atendimento”, afirma.

Segundo ele, a instituição tem interesse especial nas operações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Além de serem importantes para o desenvolvimento econômico do País, esses investimentos são altamente rentáveis ao banco”, diz.

Maurano explica que, além das ações elencadas no PAC, o BB está disposto a investir em outros projetos na área de infraestrutura. “Atualmente, por exemplo, estamos disponibilizando diversas linhas de financiamento para prefeituras interessadas em renovar a frota”, diz.

Agricultura familiar

O superintendente estadual do Banco do Brasil (BB) em Bauru, Antônio Maurício Maurano, afirma que a instituição pretende reforçar o incentivo ao agronegócio na região, com atenção especial à agricultura familiar. “Embora aparentem ser pequenos, por se darem de forma diluída, os ganhos para o banco com esse tipo de negócio acabam sendo grandes, pois o volume é bastante considerável”, explica.

Segundo ele, a instituição já financia a produção em praticamente todos os assentamentos de reforma agrária existentes na região oeste do Estado. “Em alguns municípios, mais da metade dos negócios de nossas agências vem dos clientes da agricultura familiar”, afirma.

Maurano afirma que pecuária, cana-de-açúcar, algodão, milho e laranja são outros setores do agronegócio que têm recebido um grande montante de investimentos por parte do banco, nos últimos tempos.

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Banco quer atendimento personalizado

Segundo o superintendente estadual do Banco do Brasil (BB) em Bauru, Antônio Maurício Maurano, a instituição está interessada em ampliar o atendimento personalizado aos clientes e empresas. “Esse tipo de serviço já era oferecido pelos outros bancos que atuam em São Paulo. Agora, pretendemos também atacar esse nicho”, afirma.

De uns meses para cá, Bauru passou a contar com a primeira Agência Estilo do Oeste Paulista. Instalada na zona sul da cidade (a algumas quadras da praça Portugal), o local é destinado ao atendimento das pessoas de alto poder aquisitivo. “Geralmente, esse tipo de cliente costumam demandar serviços específicos, que são mais difíceis de ser oferecidos numa agência normal”, afirma.

De acordo com Maurano, a Agência Estilo de Bauru é a primeira de muitas que serão instaladas na região. O BB também oferecerá serviços similares às empresas de grande porte. Dentro das próximas semanas, deverão ser inauguradas quatro novas agências na área abrangida pela superintendência.

Maurano lembra que, no período mais crítico da crise mundial, o BB foi uma das poucas instituições no País que encararam o risco de oferecer liquidez ao mercado brasileiro. “Nossa estratégia, naquele período, foi continuar investindo, oferecendo juros mais baixos e ocupando o espaço deixado pelos outros bancos”, diz.

Segundo ele, a tendência é que, nos próximos anos, o BB continue a disponibilizar um grande volume de crédito no mercado, a juros baixos.

“Ficou provado que é possível uma instituição ser cumpridora das políticas públicas e trabalhar o desenvolvimento regional, sem perder rentabilidade”, afirma Maurano.