08 de julho de 2026
Geral

Radioterapia depende da Vigilância

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Passados nove meses de sua desativação, o serviço de radioterapia realizado no Hospital Manoel de Abreu, em Bauru, continua interrompido. Mesmo depois de todos os trâmites serem obedecidos para a instalação de uma nova ampola de cobalto no equipamento que realiza o tratamento, o Hospital Estadual, cuja fundação também administra o Manoel de Abreu, ainda aguarda inspeção final do Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo para que a retomada do atendimento seja liberada.

No último dia 5, o JC divulgou que uma equipe do órgão havia liberado o serviço para início de funcionamento. No entanto, a assessoria de imprensa do HE informou, ontem, que ainda resta uma última vistoria no equipamento, o que deve ocorrer ainda nesta semana, para que o tratamento seja reestabelecido logo em seguida.

Desde o último dia 9, os pacientes que precisam se deslocar até o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, para se submeter às sessões de radioterapia estão sendo chamados para uma consulta de avaliação e programação do tratamento no Manoel de Abreu. Cerca de 60 pessoas, segundo a assessoria de imprensa, recebem radioterapia em Jaú e poderão retomar o tratamento em Bauru assim que o equipamento for liberado.

A radioterapia em Bauru foi desativada no dia 10 de junho do ano passado. Na época, foi detectada que a ampola de cobalto, responsável por emitir a radiação necessária para o combate ao câncer, estava com atividade muito baixa e precisaria ser trocada. Por ser material tóxico, a Vigilância Sanitária determinou a desativação temporária do aparelho para garantir a segurança dos pacientes e funcionários.

Como os equipamentos de radioterapia são importados dos Estados Unidos, assim como suas peças, a reposição da ampola de cobalto teve de obedecer o trânsito burocrático para chegar até a cidade.

O material precisou ser liberado no aeroporto de Campinas e transportado com escolta até Bauru. O Ministério do Trabalho também teve de autorizar a entrada de técnicos norte-americanos para instalar o equipamento. A fonte de cobalto, que está no Brasil desde o dia 1º de setembro, foi instalada no último dia 7 no Hospital Manoel de Abreu.

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CPI

O serviço chegou a estar na mira da CPI do Erro Médico, da Assembléia Legislativa. A diretora da Divisão Regional de Saúde de Bauru (DRS-6), Doroti da Conceição Vieira Alves, o diretor do Hospital Estadual (HE) Antero de Miranda, que gerencia a instituição hospitalar, além de Eduardo Stéfano, responsável técnico da empresa Quantum Assessoria em Física Médica Ltda, prestaram depoimentos na comissão.

Declarações à CPI haviam revelado que a tinha a metade da dose exigida por resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quando foi inutilizada, no final de maio de 2009. Mesmo constatada a baixa potência do material um ano antes, a Cnen emitiu autorização para o funcionamento do equipamento até 2010.