Foz do Iguaçu - O estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, afirmou ontem, em entrevista a repórteres de emissoras de TV, que matou o cartunista Glauco Vilas Boas e seu filho, Raoni na sexta-feira passada. Numa delas, a jornalista da TV Cataratas pergunta a Cadu se ele cometeu o crime. Ele responde, em tom de voz baixo, balançando a cabeça positivamente: “Sim”. A seguir, transcrição da entrevista que Cadu deu à TV Massa, afiliada do SBT no Paraná.
TV - Você gostaria de falar algo sobre o crime em Osasco?
Cadu - Você quer escutar que eu conte a história completa, tudo? Você (está) disposto a escutar tudo, até o final? Vou poder falar aqui? O negócio é o seguinte. Faz quatro anos que eu tomo a bebida, entendeu (pausa). Estou em rede nacional. Faz quatro anos que eu tomo a bebida, entendeu. Eu fiquei louco no começo quando eu comecei a tomar a bebida, mas eu vi Deus num dia na bebida. Tomando a bebida eu vi Deus. Aí o negócio é o seguinte. Só sabia que minha cura estava lá. Eu continuei tomando a bebida, tomando a bebida até um momento que eu me curei. Deus falou: “Chega. Sabe aquelas vozes que você ouvia, aquelas maluquices que você estava fazendo, cara? Acabou. Acabou agora. Eu vim aqui para te curar”. Desde então eu comecei a conversar com Deus, assim como todos os padrinhos da igreja conversam, entendeu. Esses hinos que as pessoas cantam ali no Santo Daime, na igreja, são hinos cantados por Jesus Cristo. É o próprio Cristo, a mãe de Cristo que canta. Essas pessoas que vêm à Terra para começar a salvar o cristianismo, porque, complicou, né. Tanta coisa que estão fazendo com a doutrina de Deus. Mas o negócio é o seguinte, Deus falou: “Existem reencarnações, entendeu, você tem vida espírita”. Quem fundou essa doutrina nossa falou que ele era o próprio.
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Amigo de Cadu será indiciado
Osasco - A Polícia Civil de Osasco ouviu ontem quatro testemunhas dos assassinatos. Entre as pessoas ouvidas estavam a viúva Beatriz Galvão e a enteada de Glauco, Juliana, que presenciaram o crime. Juliana já havia prestado depoimento na manhã seguinte ao crime. Beatriz ainda não tinha falado com a polícia, mas deu entrevista à TV Globo.
A viúva disse na entrevista que o estudante Felipe de Oliveira Iasi, 23 anos, ajudou Cadu na fuga. À polícia ela mudou a versão: afirmou apenas que tinha ouvido essa história, mas que não presenciou a fuga. Iasi, em seu depoimento, confirmou ter levado Cadu até a chácara, mas disse ter ido embora antes mesmo do crime.
A polícia também ouviu o estudante João Pedro Corrêa da Costa, 32 anos, que disse ter visto Cadu e Iasi indo embora juntos no carro de Iasi. “Se o rapaz (Iasi) tivesse fugido mesmo, eu nem teria visto ele”, disse Costa, após seu depoimento. Costa é vizinho da casa de Glauco. Ele disse que estava dentro de casa quando aconteceu o crime e que Cadu chegou a atirar duas vezes contra ele, sem acertar. Além do depoimento de Costa, a polícia tem informações de que Cadu esteve na região central de Osasco cerca de dez minutos depois do crime. Se isso se confirmar, reforça a tese de que os dois fugiram juntos.
De acordo com o delegado Archimedes Cassão Veras Júnior, responsável pela investigação, as testemunhas de ontem fecharam a dinâmica de como ocorreu o crime e, com isso, Iasi deve ser indiciado pelo envolvimento no assassinato. Cassão afirmou que o indiciamento deverá ser ou por ter contribuído para que o crime acontecesse (favorecimento, mais leve) ou por coautoria.
Já Cadu deve ser indiciado pelo duplo homicídio, pela tentativa de homicídio a Costa e pela agressão às pessoas dentro da casa de Glauco na noite do crime, incluindo a viúva do cartunista, que teria levado uma coronhada na cabeça.
A Polícia Civil solicitou a seguradora o trajeto percorrido pelo Gol cinza usado por Cadu e Felipe Iasi na noite dos assassinatos. “O resultado do percurso que foi feito naquela noite deve sair em alguns dias”, disse Veras.