Não é de hoje que acompanho as matérias e opiniões sobre cães ferozes e as leis que os parlamentares criam para tentar resolver o problema de ataques. Tenho 28 anos e há pelos menos 14, ou seja, metade da minha vida, crio cães de grande porte. Já tive uma bela exemplar da raça Fila Brasileiro, hoje tenho uma linda fêmea da raça Pastor Belga. Já trabalhei em uma clínica veterinária fazendo transporte de animais, de pincher à rottweiller. A única vez que fui atacado, pasmem, foi por um gato.
Na rua, o único cachorro que me mordeu foi um cocker que meu vizinho insistia em deixar na rua. E só me mordeu porque eu me aproximei demais. Já fui até capa do Automercado JC sobre o correto transporte de animais em automóveis. O fato é que eu conheço o mundo canino e o principal, seus donos e a forma como eles educam seus animais. Na reportagem do JC da última quinta-feira, sobre o ataque de um pitbull a dois homens no Parque Paulista, mais uma vez o óbvio está na cara de todo mundo, mas ninguém enxerga. Falar da “lei da focinheira” é a maior imbecilidade que eu já ví sobre esse assunto.
Senhores leitores, façam uma pesquisa no arquivo do JC e confiram por sí próprios, os cães ferozes só atacam as pessoas inocentes quando escapam pelo portão, seja por negligência, vacilo, falta de força ou jeito do dono. Nos últimos 14 anos eu não me recordo de ter lido alguma matéria no JC sobre um cão feroz, que ao estar na rua devidamente encoleirado e conduzido pelo dono, tenha atacado alguém. Aí vem o ex-nobre edil Paulo Madureira propor “lei de focinheira”. Paulão, meu amigo corinthiano, focinheira pra você que fez essa lei estúpida, inócua, sem sentido. Essa é mais uma daquelas leis que servem só pra “ficar bem na foto” com os eleitores.
Sou capaz de apostar que alguma familia de vítima de ataques foi quem lhe pediu para “resolver essa situação”. E como o assunto é polêmico e rende muitos holofotes, corre o parlamentar pra tribuna esbravejar e mostrar não só sua indignação com o fato mas também apresentar uma lei para por fim ao sofrimento dos munícipes. Pára Paulão! Você e os outros que votaram nessa piada disfarçada de projeto de lei. A “lei da focinheira” não resolve nada, ao meu ver, só prejudica o quadrúpede enquanto o verdadeiro problema está nos bípedes.
Nesse ponto o jornalista que escreveu a matéria acertou, pois deu espaço para que os especialistas dissessem que o problema são os donos mal preparados e não a ferocidade dos animais. Para quem acha que eu sou mais um que só reclama e não sugere nada, fica aqui a dica: Revoguem a lei da focinheira, façam uma que obrigue os donos de animais ferozes a se cadastrarem no CCZ, junto com seus animais, e que também os obriguem a reforçar muros e portões de forma a impedir que eles escapem. E que respondam civil e criminalmente por ataques do portão pra fora.
Eu sempre soube da “lei da focinheira” e sou um dos muitos que nunca a cumpriu não só por discordar dela mas também por saber da inexistencia de fiscalização, pois esse é um dos problemas desse país, muitas leis e pouca gente fiscalizando. Outro ponto levantado por um dos especialistas ouvidos pela reportagem é que a maioria dos ataques é feito por vira-latas, que vivem soltos nas ruas, e pra isso tem lei que resolva, Paulão?
Uma outra sugestão, se acabarmos com pelo menos 5 cadeiras no legislativo municipal e se revertesse toda essa verba (por baixo, uns R$ 50 mil por mês) para a contratação de mais fiscais (pelo menos mais uns 20), Bauru seria uma cidade muito melhor. Porque “lei de focinheira”, xixi no banho, lei proibindo de entrar com capacete nas lojas, entre várias outras proposições estapafúrdias, não resolvem nada e só consomem dinheiro público.
Emerson “Zé” Travaglini - cidadão bauruense