09 de julho de 2026
Geral

Vacina da gripe A exclui os adolescentes e adultos

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Na tentativa de evitar que o País enfrente uma nova epidemia de gripe A, o Ministério da Saúde pretende imunizar mais de 90 milhões de pessoas contra o vírus H1N1, dentro dos próximos meses. Porém, cronograma de vacinação definido pelo órgão deixa de fora importantes faixas etárias, entre elas os idosos, as crianças em idade escolar, os adolescentes e os adultos com mais de 40 anos.

Em Bauru, a Secretaria Municipal espera vacinar (gratuitamente) em torno de 90 mil indivíduos. Outras 270 mil pessoas deverão ficar sem a dose. Na primeira fase da campanha, que vai até sexta-feira, serão imunizados os profissionais de saúde (entre eles, os que atuam na rede particular) e os indígenas de todo o País.

Para tentar justificar a escolha, o ministério alega que preferiu priorizar os grupos que, no ano passado, demonstraram ser mais suscetíveis ao vírus ou apresentaram maior taxa de mortalidade por conta da doença.

Porém, um estudo canadense divulgado recentemente na revista Journal of the American Medical Association sustenta que a vacinação de crianças em idade escolar poderia diminuir em até 60% os riscos da doença se disseminar numa determinada comunidade.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Ministério da Saúde afirma que a vacinação em massa não é o foco da estratégia de enfrentamento à doença. O órgão alega que o objetivo da campanha é manter o funcionamento dos serviços de saúde envolvidos na resposta à pandemia e reduzir o risco de o paciente desenvolver a moléstia ou mesmo morrer em decorrência da gripe A.

O ministério também afirma que a maioria dos países irá imunizar apenas os chamados grupos de risco (trabalhadores da saúde, gestantes, população indígena e pessoas com doenças crônicas preexistentes), o que demonstraria, segundo a assessoria de imprensa do órgão, o esforço do Brasil em vacinar a maior quantidade de indivíduos com propensão a desenvolver a forma grave da gripe A ou mesmo morrer por conta da doença.”

Apesar de todas as justificativas feitas pelas autoridades de saúde, parte significativa da população ainda tem dúvidas com relação à gripe A. “Entendo que a intenção do governo é priorizar os grupos de risco. Porém, acho que está faltando informação a respeito da doença. Por exemplo: será que vale a pena buscar a vacina numa clínica particular, uma vez que o poder público não pretende imunizar toda a população?”, questiona a bauruense Mônica Litrento, 41 anos.

Tanto ela quanto o marido, de 54 anos, e os filhos, de 17 e 9 anos, ficarão de fora do cronograma de imunização estabelecido pelo governo federal. “Buscar ou não a vacina por meios próprios é uma questão individual. Temos de levar em conta, porém, que nas faixas etárias deixadas de fora da campanha, a doença se manifestou de maneira benigna, quase como uma gripe comum. Muitas dessas pessoas talvez estejam até imunizadas e nem façam ideia disso”, pondera o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti.

Segundo ele, na medida em que as 90 mil pessoas previstas forem imunizadas em Bauru, as chances de a doença se alastrar pela cidade diminuem consideravelmente. “Com isso, você acaba protegendo inclusive as pessoas que não tomaram a vacina”, afirma.

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Centrinho e Lauro também

ficam de fora

Profissionais de saúde que atuam no Instituto Lauro de Souza Lima ou no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (o Centrinho) - dois serviços de referência na área médica, instalados em Bauru e utilizados por pacientes de todo o Brasil - ficarão de fora da vacinação contra a gripe A. Dentistas que prestam serviço na rede municipal de ensino também serão deixados de lado pelos organizadores da campanha.

O Ministério da Saúde considera que essas pessoas não integram os grupos de risco, uma vez que não costumam manter contato mais próximo com os pacientes infectados pela gripe nem atuam no combate direto à doença.

Enquanto médico, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, discorda da visão (embora tenha seguida a determinação). “Acredito que esses profissionais deveriam ser vacinados, pois não temos como garantir que eles jamais terão contato com pessoas infectadas com a gripe A”, afirma.

Monti diz que pretende aguardar o término da fase inicial da campanha para realizar um balanço do andamento da vacinação no município. Depois disso, ele tentará convencer o Ministério da Saúde a estender a imunização contra o vírus H1N1 para os trabalhadores do Centrinho e do Lauro de Souza Lima, bem como os dentistas da rede municipal de ensino.

Até o momento, o ministério estima ter imunizado 655 mil pessoas em todo o País. Só em São Paulo, pelo menos 200 mil indivíduos teriam sido vacinados, nos três primeiros dias da campanha. O órgão afirma que 28% dos profissionais da saúde já receberam a dose. Até sexta-feira, 704,7 mil trabalhadores deverão aderir à campanha contra a gripe A.