A primeira etapa de coleta de amostras de água realizada por técnicos de São Paulo da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em poços do aterro sanitário de Bauru foi concluída ontem pela manhã. A expectativa é a de que em aproximadamente 30 dias seja possível confirmar se o líquido retirado de sete poços, abastecidos pelo Aquífero Bauru, está mesmo contaminado com chumbo como atestaram os últimos laudos obtidos pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
A empresa administra o aterro sanitário, onde existem 14 poços. É provável que ao final da segunda etapa de coleta nem todos eles sejam aferidos porque, embora tenham sido instalados para monitoramento, em alguns casos, um foi construído ao lado do outro. A falta de critério de localização está longe de ser o único problema referente aos poços encontrado por técnicos da Cetesb. A tampa de proteção de muitos deles foi encontrada com rachaduras e com infiltrações, por exemplo.
Conforme o JC divulgou, várias outras irregularidades também foram encontradas anteontem, no primeiro dia de trabalho da Cetesb, data dedicada ao preparo dos poços – cujas condições foram avaliadas, o nível de água medido e esvaziados. Entre elas, o fato dos poços não estarem lacrados. Num deles havia até uma bomba instalada. Ela própria, em tese, poderia liberar metais.
Para que o problema seja resolvido, o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, conta com o desempenho da gerente ambiental da Emdurb, Flávia de Souza. Ela começou a trabalhar anteontem com a incumbência de melhorar o serviço de meio ambiente. Num cargo de confiança, a gerente terá uma equipe para realizar projetos, levantamentos e tomar as providências necessárias. Seus colegas de trabalho ainda estão em estudo e poderão vir de outras secretarias da prefeitura. “Temos que visualizar o aterro como grande empresa. Falta direcionamento, plano de metas, tem muitas coisas que a gente pode melhorar. Agora, a situação mudará em pouco tempo”, comenta Nico. Só após resolver os problemas do aterro, multado em R$ 131 mil por reincidência em problemas (como falta de cobertura de lixo, queimadas e drenagem insuficiente da lagoa de chorume), é que a Emdurb estudará como os detritos da cidade serão gerenciados no futuro. Na oportunidade, analisarão se haverá outro aterro, se os detritos serão enviados a um aterro privado, se será instalada uma usina de incineração etc.
Por enquanto, o ponto mais urgente é confirmar se o aterro contaminou águas do Aquífero Bauru com chumbo. Para tanto, a Emdurb fará suas próprias coletas na próxima semana.