10 de julho de 2026
Polícia

Criança é pega pela 7ª vez por furto

Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 7 min

Um menino de apenas 12 anos foi flagrado pela Polícia Militar (PM) de Bauru pilotando uma moto, no Parque Roosevelt, ontem à tarde. Após abordá-lo, os policiais descobriram que o problema era ainda maior. O garoto confessou que havia furtado a moto em que estava, uma CG, e que tinha outra e uma mobilete, também furtadas, guardadas num esconderijo no Parque Jaraguá.

Com ele, os policiais acharam uma chave mixa e no escondereijo, um barraco, havia outra. “Esse barraco era usado como ‘mocó’, onde ele ficava para sumir por uns dias e não ser encontrado pela polícia. Sabemos também que ele realizava os furtos com ajuda do irmão, mas não o encontramos (o irmão)”, destaca o soldado Andreson da Costa.

O menino, magro e baixo para sua idade, contou que praticava os furtos com a ajuda de seu irmão, um adolescente de 16 anos. A mãe, acionada pela PM, relatou à reportagem que ontem era sétima vez que era chamada na delegacia por causa do filho de 12 anos e que está desacorçoada com o garoto.

A criança mora com a mãe e o padrasto no Parque Roosevelt e não obedeceria as regras da família, que não teria como mantê-lo em casa à força . O pai do menino mora em Israel. Apesar de estar matriculado na escola, neste ano o garoto ainda não foi à nenhuma aula e a família desconfia que ele usa drogas.

Essa foi a sétima vez que o garoto foi levado ao Plantão Policial desde o dia 1 de julho do ano passado, a quarta por causa de furto de moto. Os policiais da Base Comunitária Norte, que atenderam a ocorrência, contaram que o garoto de 12 anos fugiu quando percebeu a aproximação da viatura.

Os policiais o seguiram e o detiveram mais à frente. “Estávamos patrulhando a região com maior atenção às motos porque muitas ocorrências de furto têm sido registradas na cidade. Quando vimos o menor, ele evadiu, mas conseguimos pegá-lo”, destaca o soldado Costa.

Depois de acionar o Copom e confirmar que havia queixa de furto, os policiais obtiveram a confissão do garoto, que disse ter furtado o veículo na madrugada de ontem com o auxílio do irmão de 16 anos.

Questionado pelos policiais, ele revelou o endereço do irmão, que mora em outra casa. Mas, ao chegar no local a equipe avistou o segundo rapaz fugindo com outra motocicleta, não conseguindo apanhá-lo. Depois, o menino de 12 anos levou a PM até um barraco no final da rua Sérgio Contijo de Moraes, na favela do Parque Jaraguá.

De acordo com o soldado Costa, o endereço era utilizado como esconderijo pelos irmãos. Lá, a PM encontrou mais uma motocicleta Honda Titan e uma mobilete Monark. Ao consultar a placa da Titan, foi verificado que o veículo constava como furtado desde as 21h30 da última terça-feira. Ou seja, o garoto de 12 anos furtou duas motos em um intervalo de cerca de três horas, aproximadamente. A mobilete estava sem placa e com a numeração do chassi adulterada.

Como nas vezes anteriores, após o registro de ato infracional de furto, o menino foi liberado à sua mãe que terá de apresentá-lo à Vara da Infância e Juventude. O delegado plantonista ontem, Carlos Crepe Júnior, explicou que não poderia determinar a apreensão do garoto porque o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) prevê a aplicação desta medida restritiva de liberdade apenas em casos de grave ameaça contra a pessoa, como roubo a mão armada, tentativa de homicídio e homicídio.

Como o garoto confessou os furtos, o caso será encaminhado ao juiz da Infância e Juventude, que definirá se adotará alguma medida sócio-educativa. Os nomes do menino e de sua mãe estão sendo omitidos em respeito ao ECA.

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Mãe do menino já não sabe o que fazer

Ao Jornal da Cidade, a mãe do garoto de 12 anos que foi pego pela Polícia Militar pilotando uma moto furtada, que confessou ter ele mesmo furtado, disse que não sabe mais o que fazer com o filho. Segundo ela, o garoto sempre está envolvido em atos infracionais. Empregada doméstica, ela sai de casa para trabalhar e diz que o filho aproveita para fugir para rua, onde comete os atos infracionais.

A mulher disse que está até difícil enumerar quantas vezes teve que ir ao Plantão Policial por causa do filho. Demonstrando calma e sobriedade durante a entrevista, ela falou sobre a personalidade do menino. Enquanto isso, ele dormia sentado em um banco, vigiado por um policial. Chamaremos ficticiamente o garoto de João para facilitar o entendimento.

JC - O João mora com senhora?

Mãe - Sim, moramos juntos lá no Parque Roosevelt. Quer dizer, ele passa lá em casa de vez em quando. Ele costuma ficar uns três dias em casa e depois ele some. Só vejo ele de novo quando acontece algum problema desse tipo.

JC - Quantas vezes senhora já teve que lidar com algo assim?

Mãe - Eu já desci até aqui (Plantão Policial) umas sete vezes por causa do João. São sempre os mesmos problemas, acho que até vou colocar na agenda certinho os dias que tenho que ir no Fórum por causa dele para não correr o risco de perder o compromisso. No dia 9 (de março) tive uma audiência; dia quatro já tem outra. Nem chega a vencer os retornos e já tenho que ir no Fórum de novo.

JC - Sempre por causa de furto de motos?

Mãe - Na maioria das vezes, mas teve também uma vez que ele tentou entrar na USP (Universidade de São Paulo) e também na ITE (Instituição Toledo de Ensino).

JC - E quando começou isso?

Mãe - Assim que ele voltou de Israel. Ele chegou em Bauru no dia 21 de maio (de 2009) e no dia 1 de junho eu já estava sendo chamada aqui (Plantão Policial). Depois disso ele sai daqui e volta para cá direto.

JC - Com quem ele morava em Israel?

Mãe - Morava com o pai dele lá, mas começou a ter problemas e pediu para voltar para o Brasil.

JC - Ele causava esse tipo de problema em Israel?

Mãe - Eu não sei. Só sei que ele ia na psicóloga lá e queria mais que tudo voltar para cá (Bauru).

JC – Antes de ser pego pela PM, quando foi a última vez que a senhora viu seu filho?

Mãe - Anteontem (segunda-feira) ele passou em casa para tomar banho e depois sumiu, como ele sempre faz. E a gente não deixa faltar nada para ele lá em casa, tem comida, uma casa boa e ele não é maltratado. Não sei porque ele faz isso. Se fosse uma casa que faltasse as coisas, que a família fosse envolvida com crime, eu até entenderia.

JC - Mas a senhora tenta conversar com ele?

Mãe - Tento. Eu aviso que ele está fazendo coisa errada mas ele não escuta. Eu falo que desse jeito ele vai acabar morrendo daqui a pouco, que isso não leva a nada, mas eu não posso ficar vigiando o João o tempo todo. Eu tenho que trabalhar, tenho uma família para cuidar, tenho outros filhos. Eu juro que não sei mais o que fazer. Ele tinha que sentir que o que ele faz é errado.

JC - Ele estuda?

Mãe - Não. O Conselho (Tutelar) e o juiz (da Vara da Infância e Juventude) mandaram ele estudar e ele está até matriculado em uma escola, mas ainda não foi em nenhuma aula. Ele fala que só vai se for à noite. Na verdade é desculpa para não estudar.

JC - O que você acha que vai acontecer agora?

Mãe - Eu queria que ele mudasse, mas não acho isso possível. Ele é desse jeito, tem 12 anos mas a cabeça parece que é de 18. Não parece com uma criança da idade dele, sempre sonhando em pilotar uma moto. Mas eu acho que, se ele quer fazer isso, tem que estudar, trabalhar e comprar, assim como todos fazemos em casa. Eu não tenho como brecar essa vontade dele e nem ficar vigiando 24 horas. Ele está plantando o que vai colher.