11 de julho de 2026
Nacional

Polícia fecha clínica de aborto que faturava até R$ 160 mil por mês

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Após 15 dias de investigação, policiais civis fecharam uma clínica de aborto na madrugada de ontem na rua do Livramento, na Gamboa, no centro do Rio. Segundo o delegado titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública, Fabio Cardoso Júnior, os procedimentos ilegais geravam uma renda média de R$ 160 mil por mês com o atendimento de cerca de 80 mulheres.

“Eles agiam de forma discreta e o local só funcionava à noite, a partir das 19h. Dependendo do número de pessoas, eles realizavam abortos até a madrugada. Havia uma grande rotatividade de clientes, ultimamente eram cerca de 20 mulheres por dia de funcionamento. O preço do procedimento variava de R$ 600,00 a R$ 2 mil dependendo do tempo de gestação”, afirmou o delegado à reportagem.

A polícia informou que a clínica funcionava desde o final do ano passado, em dois dias da semana, às terças e sextas. Para entrar na clínica, dois casais de policiais civis se passaram por clientes na noite de anteontem.

“Os agentes ficaram na clínica durante algumas horas e, em seguida, acionaram o restante da equipe. No interior do estabelecimento tinham várias portas para dificultar o acesso à sala, onde eram realizados os abortos. Quando os outros policiais chegaram ao local, quatro mulheres já estavam em uma área de repouso após terem realizado o procedimento cirúrgico. Algumas ainda estavam sedadas e com sangramento”, disse Júnior.

Ainda de acordo com o delegado, uma das jovens que fez o aborto passou mal e precisou ser levada para uma maternidade pública, na Praça 15, também no centro. Outras seis grávidas aguardavam para ser atendidas.

A polícia informou que a clínica tinha várias salas de observação, uma mesa de parto improvisada e aparelhos, muitos deles enferrujados. Havia também uma grande variedade de medicamentos e equipamentos cirúrgicos.

Nove presos

Ao todo, nove pessoas foram presas - a polícia não informou se elas já têm advogados constituídos. O médico Carlos Eduardo de Souza Pinto, 39 anos, foi preso em flagrante, segundo a polícia, depois de confessar o crime. Quatro assistentes dele, além de três clientes que já haviam feito o aborto foram levadas para a delegacia.

Wagner Ferreira da Silva, 46 anos, identificado pelos policiais como o dono da clínica também foi preso. Já as mulheres que aguardavam atendimento foram ouvidas e liberadas.

Entre as clientes que realizaram o aborto, havia uma jovem de 17 anos, que inicialmente foi detida e após prestar depoimento foi liberada acompanhada de uma tia. A jovem terá que responder pelo crime no Juizado da Infância e Juventude.

“O médico, o dono da clínica e as assistentes já foram autuados por crime de realização de aborto com consentimento da vítima e formação de quadrilha. Eles podem pegar até sete anos de prisão. Já as grávidas que passaram pelo procedimento cirúrgico, foram indiciadas por crime de consentimento para o aborto, mas elas podem pagar fiança de R$ 150,00, que é o mínimo determinado pelo Código Penal”, disse o delegado.