Washington - No meio de um esforço quase desesperado pela reforma do sistema de saúde, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou ontem em uma rara e combativa entrevista à conservadora Fox News que “o processo em Washington é feio”, criticou a tensão recente com Israel e não descartou a opção militar na disputa com Teerã devido ao programa iraniano de enriquecimento de urânio.
A Fox News, líder de audiência no noticiário a cabo, já foi chamada pela Casa Branca de “braço do Partido Republicano”, e a entrevista de ontem expôs os atritos. Sobre a reforma da saúde, bastante criticada pela emissora, Obama afirmou que “a conversa (com o canal) fica frustrante, porque se foca no processo (de aprovação da reforma) em Washington’’.
“Eu já disse que o processo é feio. Não é sobre isso que temos que conversar’’, disse ele, entre interrupções constantes do jornalista Bret Baier.
Obama também afirmou que ações recentes de Israel “são prejudiciais” ao processo de paz.
O presidente negou, porém, que haja uma crise na relação bilateral.
Sobre o Irã, ele disse que lutará arduamente para que a ONU imponha sanções duras pela recusa do país em fazer um acordo sobre o programa de enriquecimento de urânio e reiterou que “todas as opções estão na mesa” - até a militar.
A entrevista surpreendeu ontem pelo fato de comentaristas da Fox News rotineiramente atacarem Obama, tachando-o de comunista e até racista. A diretora de comunicação da Casa Branca, Anita Dunn, chegou a anunciar que o governo “trataria a Fox como oponente”.