11 de julho de 2026
Polícia

Onda de furtos não poupa nem igreja

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Furtos durante a madrugada mediante arrombamento de vitrines e portas de vidro se tornaram rotina no comércio da avenida Nossa Senhora de Fátima, em Bauru, reclamam os lojistas. A lista de empresas vítimas tem crescido desde o final do ano passado e até a Igreja Fonte da Vida, localizada na quadra 20 da via, não foi poupada.

Uma empresária, cuja loja de confecção foi furtada em novembro e dezembro do ano passado, tem até acordado de madrugada achando que o estabelecimento comercial está sendo arrombado outra vez. Ela, que não quer ter seu nome divulgado, conta que na madrugada do último domingo acordou assustada com a impressão de que seu comércio estava sendo novamente invadido. Como reside nas imediações da avenida, pegou seu veículo e foi até a loja. Felizmente, desta vez, era apenas cisma.

A comerciante calcula que teve prejuízo entre R$ 4 mil a R$ 5 mil com o furto de novembro. A polícia foi acionada pelo porteiro de um edifício que viu a ação dos ladrões. “Eram quatro em um Kadett preto e a polícia não conseguiu pegar. De todos os furtos que ocorreram na avenida Nossa Senhora de Fátima, do começo de novembro até hoje, eu não vi dizer que pegaram alguém”, reclama.

Ela comenta que, na quadra 9 da avenida uma loja de equipamentos de informática fechou após ter sido furtada, em dezembro. Ladrões estouraram a vitrine e levaram mercadorias. “Ele (dono) não foi persistente como a gente”, comenta a lojista. Ainda se recuperando do furto de novembro, em dezembro, ladrões estouraram novamente uma vitrine de sua loja e levaram uma banca de calças jeans.

O estabelecimento tem alarme, porém a chuva danificou a fonte de energia do equipamento e a lojista foi avisada por um porteiro vizinho sobre o furto. “Eu desci como uma louca. Quando cheguei, já tinham feito um arraso aqui”, descreve.

A comerciante acrescenta que em dezembro ocorreram vários furtos idênticos em lojas na avenida e nas imediações do Aeroclube. A situação acalmou quando a polícia intensificou as rondas. Agora, os alvos recentes foram um salão de cabeleireira, uma academia de ginástica, uma igreja, uma papelaria, padaria e uma loja de decoração.

Uma loja de decoração nas proximidades do Bosque da Comunidade também foi alvo de furto na madrugada da quinta-feira passada. De acordo com uma funcionária, os ladrões arrebentaram a vitrine com um pequeno machado que foi deixado na loja. O prejuízo foi o furto de um monitor, uma TV de plasma e um aparelho de DVD.

Para a empresária, da av. Nossa Senhor de Fátima, falta policiamento. “Essa região fica muito abandonada”, opina. Ela comenta que, na madrugada da última segunda-feira, um segurança flagrou pessoas tentando estourar a porta de vidro de uma clínica próxima de uma loja de material de construção na avenida Nossa Senhora de Fátima. Segundo a comerciante, os gritos do vigia afugentaram os marginais. Os autores da tentativa de furto seriam adolescentes, que teriam quebrado um holofonte de luz e fugido.

Na madrugada seguinte, estouraram um lado da porta de vidro da loja de material de acabamento, do outro lado da rua, de frente para a clínica. Conforme uma funcionária da empresa, levaram um monitor de LCD e jogaram diversas gavetas no chão. O furto teria ocorrido por volta das 1h50.

A empresa tem sua matriz em Lençóis Paulista e, há um ano e meio, optou pela expansão, abrindo uma filial em Bauru. A funcionária relembra que, pouco tempo após a inauguração, o comércio foi alvo de furto, também de madrugada. “Mesmo durante o dia não temos segurança”, define.

A empresa possui sistema de segurança com monitoramento e um funcionário foi acionado após o alarme disparar. A funcionária comenta que ninguém foi detido. Como uma porta de vidro é produzida com especificações técnicas, a reposição demora alguns dias. A loja contratou um segurança para permanecer à noite no comércio até que a porta de vidro fosse reposta.

Consertos

O grande número de pedidos de reposição de vitrines, vidraças e portas de vidro a uma empresa especializada confirma que os furtos ao comércio em Bauru ocorrem com uma frequência muito maior do que os registrados em estatísticas policiais. O gerente de uma empresa especializada, que preferiu não se identificar, comenta que todos os dias chegam novas encomendas. “Não estamos dando conta de todos os pedidos”, acrescenta o gerente.

Uma loja de material de acabamento da avenida Getúlio Vargas fez dois pedidos à empresa recentemente. Da avenida Nossa Senhora de Fátima, uma loja de biquínis também contratou serviços.

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Para comando da PM, faltam ações integradas de segurança

Para o comandante interino do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), major Nelson Garcia Filho, é preciso um plano estratégico para a segurança pública em Bauru. Atualmente, cada instituição norteia sua ação seguindo sua diretriz. O major defende que só ações integradas darão resultados. A primeira mobilização para criar esse planejamento integrado de segurança deve ocorrer no final deste mês, com um encontro envolvendo representantes dos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs), Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção Bauru, poder público municipal, Ministério Público, Poder Judiciário e polícias Militar e Civil.

Garcia ressalta que as pessoas anseiam por uma resposta imediata, porém a ação da polícia é limitada. “Ela vai atuar até certo ponto”, argumenta o comandante do 4º BPM-I. Ele orienta as vítimas a não deixar de comunicar os fatos às Bases Comunitárias para agendamento de rondas programadas.

Ele sugere a possibilidade de uma ação conjunta da PM com o Conselho Tutelar, por exemplo, para abordar os adolescentes que costumam cuidar de carros à noite na confluência das avenidas Nossa Senhora de Fátima e Getúlio Vargas. “Vai ter que tomar medidas em desfavor do menor. Até reconduzir para o lar”, sugere.

Ele acredita que o vandalismo pode ser combatido com a oferta de atividades socioculturais nos bairros voltados aos adolescentes e jovens que vivem nestas localidades. Sem lazer em seus bairros, eles se aglomeram na zona sul da cidade.