Um dia após assumir que irá disputar a Presidência da República em outubro, o governador José Serra (PSDB) fará sua primeira viagem em tom oficial de campanha hoje, à região, para duas inaugurações. A partir das 13h, Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Bauru, localizada na região central da cidade e, depois da cerimônia, o tucano segue de helicóptero com sua comitiva para o trevo de Garça, onde inaugura também às 14h30 duplicação da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), conhecida como Bauru-Marília.
Ele vem acompanhado também do pré-candidato ao Palácio do Planalto o secretário do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSDB) e de Transportes, Mauro Arce.
Serra diz que lançará sua candidatura oficialmente no início de abril, mas ontem já deu o primeiro sinal que aceita disputar a sucessão de Lula. “Faltam poucos dias... no começo de abril”, disse Serra em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, da TV Bandeirantes, ao ser perguntado quando lançaria sua candidatura.
O PSDB esperava há meses a manifestação pública do governador sobre sua candidatura à Presidência.
Na entrevista, Datena questionou: “Como é que o senhor vai negar que é candidato à Presidência da República?” Para quem vinha driblando sistematicamente a questão, desta vez Serra foi menos evasivo. “Não, eu não estou negando. Eu estou dizendo que nesse momento, enquanto eu estiver no governo, eu não vou fazer campanha, só isso.”
Nas declarações, Serra sinalizou um aspecto de sua estratégia de campanha: não trombar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e enfatizar que será o candidato vencedor quem comandará o País nos próximos quatro anos. “O Lula fez dois mandatos, está terminando bem o governo. O que nós queremos para o Brasil é que o Brasil continue bem e até melhor”, disse. “Você tem que ver quem é que vai ser presidente, quem é que vai dirigir as coisas. Porque o presidente é insubstituível... não governa terceirizado.”
Falando a jornalistas após evento público em São Paulo, Serra negou que tivesse se declarado candidato. “O Datena é quem falou isso”, disse o governador.
Mas a própria assessoria de Serra admitiu, antes de a entrevista ir ao ar, que na conversa o governador assumira a postura mais próxima de ser candidato até agora.
Embora Serra em todos os eventos oficiais nega sistematicamente que seja candidato e diz que as inaugurações são atos de governo sem qualquer relação com campanha eleitoral.
Escola e estrada
O prédio de 5 mil metros quadrados da Fatec de Bauru, que será inaugurado hoje, (rua Manoel Bento Cruz, ao lado do Senai) custou aos cofres do governo estadual cerca de R$ 7,5 milhões. O edifício de três andares abriga 14 salas de aula, 13 laboratórios, além de biblioteca, setor administrativo, área de convivência e quadra coberta, que será utilizada em conjunto com os alunos da Escola Técnica (Etec) Rodrigues de Abreu.
A Fatec de Bauru conta com 300 alunos divididos em turmas no período diurno e noturno, que ocupam as dependências da escola técnica, ao lado do prédio que está para ser inaugurado. Além do curso de Sistemas Biomédicos, outros dois cursos estão sendo estudados para a faculdade de tecnologia.
Os novos cursos ainda serão definidos por pesquisas em fase de coleta de dados pelo Centro Paula Souza e pela equipe da Fatec de Bauru. De acordo com o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), os novos cursos deverão ser anunciados neste sábado.
Já a duplicação do trecho Garça-Duartina da rodovia comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) custou investimento superior a R$ 220 milhões para o governo do Estado.
A obra apresenta o padrão de duplicação desenvolvido pelo DER, com dupla pista para cada sentido, acostamento e canteiro central. Cinco trevos foram construídos no trajeto. Alguns trechos perigosos, como a “Curva da Manteiga”, tiveram traçado corrigido para oferecer mais segurança e atender as normas do DER.
A duplicação da SP- 294 que liga Bauru a Marília, passando por Duartina, Gália, Garça e Vera Cruz era uma “novela” que durava mais de 15 anos. Comparada a uma colcha de retalhos, a rodovia era extremamente crítica.
As obras tiveram início em 93 com prazo de término previsto para 95. Em 95, as obras foram paralisadas porque o então governo Covas suspendeu o contrato com a empresa que executava a duplicação. Durante vários anos, segundo dados estatísticas da Polícia Rodoviária (PR), a SP-294 foi a que mais matou na região.