08 de julho de 2026
Geral

2010 será o ano da doutrina espírita

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

A exposição da doutrina espírita, em geral, e de Chico Xavier, em particular, por causa do centenário de seu nascimento, irá transformar 2010 no ano do espiritismo. É nisso que acreditam seus adeptos. Além de eventos locais, como o encontro em homenagem aos 100 anos de Chico Xavier, que será realizado na Instituição Toledo de Ensino, no dia 11 de abril, e deverá reunir cerca de 2 mil pessoas, outros de repercussão nacional estão programados para este ano.

Dentre eles, dois deverão ter um destaque maior. Trata-se do longa-metragem “Chico Xavier – O filme”, que será lançado no dia 2 de abril, data de seu nascimento. Dirigido pelo cineasta Daniel Filho, o filme promete lotar os cinemas e apresentar ao público a história do garoto pobre de Pedro Leopoldo, interior de Minas Gerais, que perde a mãe aos 5 anos e, ainda na infância, começa a ver espíritos, e ganha projeção nacional ao psicografar mensagens de pessoas que já morreram.

Assim, lança mais de 400 livros, que alcançam a marca de 50 milhões de exemplares vendidos, mas não fica com um centavo do dinheiro arrecadado. Tudo é doado para instituições de caridade.

O filme é uma adaptação para o cinema do livro “As Vidas de Chico Xavier”, de Marcel Souto Maior. Entre os atores estão Nelson Xavier, Ângelo Antônio, Tony Ramos, Christiane Torloni, Giulia Gam, Letícia Sabatella, Pedro Paulo Rangel e Giovanna Antonelli, entre outros famosos.

Também no mês de abril deverá estrear na Rede Globo a novela “Entre Dois Amores”, de Elizabeth Jhin, que tem como tema o espiritismo.

Segundo o presidente da União das Sociedades Espíritas (USE) de Bauru, Edgar Miguel, a repercussão que esses lançamentos terão na sociedade já foi tema de discussão interna e ele garante que os centros estão preparados para atender a um possível aumento na demanda de adeptos. “Com certeza, estamos preparados para isso. Há espaço para crescimento dentro da estrutura que temos hoje”, afirma.

Edgar informa que existem em Bauru 23 casas espíritas ligadas à USE. Ele não sabe dizer quantos adeptos da doutrina residem na cidade, mas frisa que, por ano, as duas livrarias da USE vendem cerca de 50 mil livros. A frequência nas reuniões do Centro Espírita Amor e Caridade, segundo ele, gira em torno de 4 mil a 5 mil pessoas.

A exposição que Chico Xavier e, consequentemente, o espiritismo terá neste ano é comemorado também pelo professor de história Leopoldo Zanardi. Segundo ele, a humildade, o amor ao próximo e a humanidade do médium mineiro é algo que precisa ser ressaltado e colocado à disposição do público para que todos saibam quem foi Chico Xavier e conheçam o exemplo de vida que ele deixou.

O professor prevê que o centenário dará tanta visibilidade ao espiritismo quanto a participação de Chico Xavier ao programa “Pinga-Fogo”, da TV Tupi, em 1971, que registrou uma das maiores audiências da TV brasileira, com 75% dos aparelhos ligados na entrevista.

Leopoldo, um grande estudioso da vida e obra de Chico, esteve com ele em 1984, quando da passagem pelo Centro Espírita União, em São Paulo. O professor falou rapidamente com Chico, enquanto o mesmo autografava um livro. Leopoldo ficou cerca de um minuto diante dele. Foi tempo suficiente para notar que havia uma aura diferente em torno daquele homem. “Dava para perceber que era alguém diferenciado”, relata.

Segundo ele, Chico foi um divisor de águas dentro do espiritismo. “Não sei se teremos outro Chico Xavier, mas sempre teremos líderes que darão continuidade ao trabalho iniciado por ele”, afirma.

Leopoldo foi um dos colaboradores de Jhon Harley Madureira Marques, que escreveu um livro ressaltando o aspecto humano de Chico, que será lançado em julho próximo. O professor de Bauru recebeu uma cópia do livro para as devidas correções e observações. Feito o trabalho, encaminhou a cópia de volta para o autor.

Mário Rodrigues da Silva, que hoje está com 91 anos, também esteve frente a frente com Chico Xavier. Ele não lembra o ano em que isso ocorreu, mas não esquece a alegria que sentiu ao estar diante de uma das maiores expressões do espiritismo mundial.

“Ele foi uma pessoa extraordinária. Sempre alegre, simples, atencioso. Como eu era novo, queria comprovar (essas qualidades) de perto. Por isso, fui visitá-lo”, conta.